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Vivendo sem limites: médicos russos realizam transplantes de ambas as mãos

Operações são feitas em salas híbridas com tecnologia de alta complexidade e podem durar entre seis e doze horas
Vivendo sem limites: médicos russos realizam transplantes de ambas as mãosTelegram / dzdmos

Cirurgiões de Moscou realizaram pela primeira vez, com sucesso, transplantes de mãos em pacientes que haviam perdido total ou parcialmente uma ou as duas extremidades superiores. A informação foi divulgada na quarta-feira (10) pelo Departamento de Saúde da capital russa.

Segundo o comunicado, especialistas de vários institutos e universidades médicas da Rússia participam do desenvolvimento dessa nova linha de procedimentos. Médicos da Universidade de Guangxi, na China, também foram convidados a colaborar.

As autoridades explicaram que, para alguns pacientes, a cirurgia reconstrutiva não é uma opção. Nesses casos, a única alternativa é a alotransplantação, o transplante de um conjunto complexo de tecidos provenientes de um doador. A afirmação é de Natalya Manturova, responsável pela área e chefe do grupo clínico, além de principal cirurgiã plástica consultora de Moscou e do Ministério da Saúde da Rússia, professora e membro correspondente da Academia de Ciências da Rússia.

Cirurgias de alta complexidade

As operações são realizadas no centro de referência do Instituto de Pesquisa de Atendimento de Urgência Sklifosovsky, em salas cirúrgicas híbridas equipadas com tecnologia de alta complexidade. Os procedimentos podem durar entre seis e doze horas.

A nota destaca que a microcirurgia é uma das etapas mais importantes e também a mais difícil. Nessa fase, os médicos precisam conectar com extrema precisão nervos, vasos sanguíneos, músculos e tendões do enxerto com os do paciente, processo que exige o uso de tecnologias celulares avançadas.

"O Instituto Sklifosovsky possui um conjunto único de competências em transplantes na Rússia", afirmou o diretor do centro, Sergey Petrikov, membro da Academia de Ciências da Rússia. Ele destacou que o objetivo não é apenas restaurar a anatomia, mas recuperar totalmente a função das mãos. Para isso, a terapia imunossupressora é essencial para evitar a rejeição do transplante.

Em abril de 2025, foi realizado no país o primeiro transplante bem-sucedido da mão direita em um homem de 53 anos, que recuperou totalmente a sensibilidade e a função do membro. Já em fevereiro deste ano, um homem de 42 anos recebeu transplante das duas mãos. Ele já consegue segurar objetos leves e segue em processo de reabilitação, com expectativa de recuperação completa.