Espanha: Merz transformou a Alemanha em 'vassala' dos EUA

A reação do chanceler alemão às ameaças do presidente americano Donald Trump contra a Espanha mostra a "fraqueza" de Berlim, declarou a vice-premiê espanhola.

A vice-primeira-ministra do governo da Espanha, Yolanda Diaz, disse na segunda-feira (9) ao jornal norte-americano Politico que a Alemanha governada pelo chanceler Friedrich Merz tornou-se uma "vassala" dos Estados Unidos.

O comentário foi feito no contexto da resposta de Merz às ameaças contra a Espanha pelo presidente dos EUA, Donald Trump, descrita pela imprensa espanhola como "falta de solidariedade" na parceria europeia. As tensões se desdobraram diante de críticas do chanceler alemão à posição da Espanha sobre gastos militares com a OTAN, no início de março.

Diaz disse ao Politico que as ações de Merz mostram que ele é um dos líderes da União Europeia (UE) "que não têm ideia de como gerir o momento histórico que estamos vivendo".

"O que a Europa precisa hoje é de liderança, não de vassalos que prestam homenagem a Trump."

Segundo a vice-primeira-ministra, Merz demonstra que a Alemanha se encontra em uma "posição de extrema fraqueza em termos econômicos", apelando à UE para reduzir sua "dependência tecnológica, financeira e energética" dos EUA.

A Alemanha negou quaisquer problemas nas relações com a Espanha, dizendo ao Politico que "a relação não está nem um pouco tensa".

Em face ao Oriente

Diaz continuou a alfinetar o chanceler alemão ao declarar que qualquer líder da UE deveria se pronunciar "claramente em defesa do direito internacional", acrescentando que a Carta da ONU define claramente o que constitui "uma guerra ilegítima".

A Espanha foi uma das únicas nações ocidentais que condenou o ataque dos EUA e de Israel contra o Irã. O primeiro-ministro Pedro Sánchez disse que sua nação não seria "cúmplice de algo que é ruim para o mundo simplesmente por medo de represálias".

Merz, por outro lado, culpou Teerã pelo conflito após os primeiros ataques israelenses e americanos, ao mesmo tempo em que afirmou que "não era o momento de dar lições aos nossos parceiros e aliados".