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Cientistas concluem primeiro "upload virtual de cérebro" da história

Uma cópia digital completa do cérebro de uma mosca-da-fruta foi carregada em um ambiente simulado e demonstrou comportamentos naturais.
Cientistas concluem primeiro "upload virtual de cérebro" da históriaImagem gerada por IA

Cientistas de uma startup do Vale do Silício desenvolveram uma cópia digital completa do cérebro de uma mosca-da-fruta capaz de controlar um corpo virtual em um ambiente simulado. A informação foi publicada pelo Dr. Alex Wissner-Gross, cofundador da Eon, no sábado (7).

O experimento foi conduzido Eon Systems, empresa de neurotecnologia. A equipe reproduziu o cérebro da mosca, neurônio por neurônio, com base em dados obtidos por microscopia eletrônica. O modelo passou a comandar um corpo digital dentro de um ambiente virtual.

Segundo os pesquisadores, o sistema executa comportamentos como caminhar, limpar o corpo e buscar alimento. As ações surgem da atividade dos circuitos neurais copiados do cérebro biológico, sem uso de treinamento por algoritmos de aprendizado.

O projeto utiliza o mapeamento completo do conectoma de uma mosca adulta, publicado em 2024 por um consórcio internacional. O diagrama inclui cerca de 140 mil neurônios e aproximadamente 50 milhões de conexões sinápticas.

Um estudo associado, publicado na revista Nature, mostrou que um modelo computacional baseado nesse mapa neural consegue prever movimentos da mosca com 95% de precisão. O cientista Philip Shiu, da Eon Systems, participou da pesquisa.

A nova etapa integrou o cérebro digital a um corpo simulado por meio do motor físico MuJoCo, desenvolvido pelo Google DeepMind. O ambiente virtual envia sinais sensoriais ao cérebro emulado, que processa as informações e gera comandos motores para o corpo digital.

De acordo com o CEO da Eon Systems, Michael Andregg, o modelo alcança 91% de precisão comportamental usando apenas a estrutura do conectoma e modelos simplificados de neurônios.

A equipe agora reúne dados para tentar simular o cérebro completo de um camundongo, que possui cerca de 70 milhões de neurônios. O projeto também inclui estudos de longo prazo voltados à emulação integral de um cérebro humano.