A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou como um "erro estratégico" a redução da energia nuclear no bloco. O reconhecimento ocorreu na segunda-feira (9), durante o Segundo Encontro Mundial sobre Energia, realizado em Paris.
"Enquanto em 1990 um terço da eletricidade europeia vinha da energia nuclear, hoje são apenas cerca de 15%", disse von der Leyen em seu discurso.
"A redução da participação da energia nuclear foi uma decisão consciente e creio que foi um erro estratégico para a Europa dar as costas a uma fonte confiável e acessível de eletricidade de baixas emissões".
A desativação de usinas nucleares aumentou a dependência europeia de combustíveis fósseis importados. Atualmente, a União Europeia enfrenta os impasses da dependência energética em meio às restrições de travessia do Estreito de Ormuz.
A crise no Oriente Médio expôs a vulnerabilidade da economia europeia, que lida com a volatilidade no preço do petróleo.
"Em relação aos combustíveis fósseis, estamos totalmente dependentes de importadores caros e voláteis, o que nos coloca em uma desvantagem estrutural em comparação com outras regiões", lamentou a presidente.
Para mitigar a fragilidade, Bruxelas anunciou garantias de 200 milhões de euros (R$ 1,1 bilhão) para incentivar pequenos reatores modulares.
"O objetivo é simples: queremos que esta nova tecnologia [pequenos reatores modulares] esteja pronta para uso na Europa até o início da década de 2030", afirmou von der Leyen.