A vice-presidente e ministra do Trabalho da Espanha, Yolanda Díaz, atacou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nesta segunda-feira (9) ao considerar que seu apoio a Israel e aos EUA na agressão contra o Irã é contrário ao que a União Europeia (UE) diz defender.
"Para defender o povo iraniano, o que temos que fazer é exigir, sem sombra de dúvidas, o respeito à legalidade internacional. O contrário disso é a barbárie", afirmou a alta funcionária em Bruxelas, de acordo com declarações às quais El Diario teve acesso.
Da mesma forma, Díaz destacou que Madri apoia "o povo iraniano" e "a legalidade internacional", ao mesmo tempo em que rejeita qualquer ação que contrarie esses princípios, especialmente se houver tentativa de justificá-la por motivos fúteis. "O que ocorre é que não se pode fazer justiça com as próprias mãos nem agir como está fazendo o senhor [presidente americano, Donald] Trump, inclusive, por interesses absolutamente espúrios no Irã, na Venezuela ou em outras partes do mundo", argumentou.
'Nem uma lágrima'
Enquanto isso, von der Leyen afirmou na conferência anual de embaixadores perante a UE que não é relevante que Bruxelas se questione se "é uma guerra escolhida ou uma guerra necessária", porque o que importa é que as ações bélicas no país persa enfraqueceram o governo iraniano.
"Quero ser clara: não deve ser derramada nenhuma lágrima pelo regime iraniano, que infligiu morte e impôs repressão ao seu próprio povo e que causou devastação e desestabilização em toda a região através de seus aliados armados com mísseis e drones. Muitos iranianos, dentro do país e em toda a Europa e no mundo, celebraram o falecimento do aiatolá (Ali) Khamenei. E também muitas outras pessoas em toda a região esperam que este momento possa abrir um caminho para um Irã livre", alegou a chefe do Executivo europeu.
Von der Leyen assegurou ainda que "a Europa já não pode ser a guardiã da velha ordem mundial, de um mundo que se foi e não voltará". E que, embora o bloco defenda e mantenha "o sistema baseado em regras", que ajudou a construir junto aos seus aliados, já não é possível "confiar nele como a única forma de defender" seus interesses e tampouco "assumir" que "suas normas" a protegerão das "ameaças complexas" que deve enfrentar.