Esposa de Moraes detalha serviços ao Banco Master e nega conflito de interesses

O escritório de Viviane Barci afirmou que "nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF".

O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados divulgou, nesta segunda-feira (9), uma nota detalhando os serviços prestados ao Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Esta é a primeira manifestação de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, sobre a existência do contrato, 92 dias após sua revelação.

Segundo a nota, foram realizadas 94 reuniões de trabalho e produzidos 36 pareceres jurídicos, com uma equipe de 15 advogados coordenada por Viviane Barci, além de três escritórios terceirizados. O escritório afirmou que "nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF", rebantendo acusações de conflito de interesses pelo vínculo de Viviane com Moraes — que não faz parte da Segunda Turma do STF, na qual tramita o processo, mas que poderia influir em procedimentos no Plenário, definido por todos os ministros do Supremo.

Apesar de detalhar as atividades, o escritório omitiu os valores cobrados, um dos maiores indícios em favor das acusações de lavagem de dinheiro. O contrato previa pagamento de R$ 129 milhões em três anos, ou R$ 3,6 milhões mensais, valor revelado anteriormente pela colunista Malu Gaspar e nunca contestado por Viviane ou pelo banco Master.

A atuação incluiu análise estratégica de investigações nas áreas penal e administrativa envolvendo o banco e seus dirigentes, implementação de código de ética e ações de compliance. Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação e citados pelo jornal O Globo mostram que o trabalho é desconhecido em pelo menos três dos quatro órgãos onde havia previsão contratual de atuação: Banco Central, Cade e PGFN.