
G7 encerra reunião sem acordo para liberação de reservas estratégicas de petróleo

A reunião do G7 realizada nesta segunda-feira (9) terminou sem consenso sobre a liberação coordenada de estoques emergenciais de petróleo, informou a repórteres o ministro das Finanças francês, Roland Lescure.

A discussão ocorreu em resposta ao impacto da guerra com o Irã nos mercados de combustível, que elevou os preços do petróleo Brent a US$ 119,50 por barril pela manhã desta segunda, antes de recuar para cerca de US$ 100.
O conflito resultou no fechamento efetivo do Estreito de Ormuz — responsável pelo tráfego de cerca de 20% da produção mundial — impedindo a passagem de petroleiros e forçando países como Arábia Saudita, Kuwait, Iraque e Emirados Árabes Unidos a reduzirem sua produção devido ao acúmulo nos tanques de armazenamento.
«ENTENDA PORQUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO»
Durante a reunião virtual, a Agência Internacional de Energia (AIE) solicitou explicitamente a liberação coordenada, segundo a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, citada pela agência britânica Reuters.
O presidente da França Emmanuel Macron, durante passagem pelo porta-aviões Charles DeGaulle, estacionado próximo ao Chipre, anunciou a jornalistas que os ministros de Energia do G7 se reunirão em Paris na terça-feira (10) para dar continuidade às discussões, paralelamente a uma conferência sobre energia nuclear.
Instabilidade especulativa
Os mercados de ações reagiram negativamente à incerteza no setor energético, com quedas significativas. O Kospi da Coreia do Sul caiu 6%, o Nikkei 225 do Japão despencou 5,2%, e o Euro Stoxx 50 da Europa recuou 1%, segundo levantamento da EuroNews. Nos Estados Unidos, o S&P 500 caiu 1,3%, o Dow Jones 1,5%, e empresas com grandes gastos com combustível, como Carnival (-7,3%) e United Airlines (-6,9%), foram particularmente afetadas.
O governo Trump ainda não se comprometeu formalmente com a liberação das reservas estratégicas americanas, apesar da pressão política. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, instou Trump no domingo (8) a liberar imediatamente a Reserva Estratégica de Petróleo, afirmando que ela "existe exatamente para momentos como este". Os preços da gasolina nos EUA subiram aproximadamente 43 centavos por galão desde o início do conflito em 28 de fevereiro.
A Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA foi criada após o choque do petróleo dos anos 1970 e atualmente contém mais de 415 milhões de barris, abaixo de sua capacidade de mais de 700 milhões, informou a AP. Liberações coordenadas de estoques estratégicos ocorreram apenas cinco vezes anteriormente; o ex-presidente dos EUA, Joe Biden, havia utilizado significativamente a reserva em 2022 após a escalada do conflito ucraniano, realizando duas liberações e reduzindo o estoque ao nível mais baixo desde a década de 1980.
Segundo analistas da JPMorgan Chase, as interrupções de produção no Oriente Médio poderiam se expandir para mais de 4 milhões de barris por dia até o final desta semana, à medida que o armazenamento continuar saturado e os gargalos persistirem.

