O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta segunda-feira (9) que as empresas de energia russas devem aproveitar o aumento drástico dos preços dos combustíveis causado pelo conflito no Oriente Médio.
Em um discurso proferido em uma reunião governamental sobre a situação do mercado global de energia, Putin argumentou que "os atuais preços elevados das commodities são, sem dúvida, temporários" e, portanto, "devemos partir dessa premissa".
"É importante que as empresas de energia russas aproveitem o momento atual, entre outras coisas, para destinar a receita adicional das exportações à redução de suas dívidas com os bancos nacionais", afirmou.
Chamando a atenção dos presentes para este ponto, ele pediu "ao governo e ao Banco Central que controlem este processo".
O presidente mencionou os efeitos na economia global das interrupções no fornecimento de petróleo e gás devido ao conflito no Oriente Médio.
"Hoje vemos problemas logísticos nas rotas de transporte de hidrocarbonetos, e constatamos que isso tem um impacto muito negativo na produção global, nas cadeias de suprimentos globais. Afeta a indústria e, sem exagero, todo o sistema de relações econômicas internacionais", disse Putin.
O presidente salientou que a situação resultou em maior concorrência por fornecedores confiáveis de recursos energéticos.
Nesse sentido, ele lembrou tanto aos seus colegas quanto a "todos os consumidores em geral, que a estabilidade sempre foi a marca registrada das empresas de energia russas".
Putin indicou que a Rússia está atualmente aumentando o fornecimento de recursos energéticos para seus parceiros confiáveis em várias regiões do mundo e garantiu que as entregas a esses tipos de clientes continuarão, entre os quais destacou a Hungria e a Eslováquia.
Ao falar sobre os outros países membros da União Europeia, Putin estabeleceu as condições para o fornecimento de hidrocarbonetos à Europa.
"Se as empresas e os compradores europeus decidirem subitamente reorientar-se e nos garantirem uma colaboração duradoura e estável, livre de circunstâncias políticas, por favor, nunca nos recusamos, estamos dispostos a trabalhar com os europeus", afirmou.
Para isso, ele enfatizou, "é necessário algum sinal da parte deles de que estão dispostos, de que também querem trabalhar e de que garantirão essa sustentabilidade e estabilidade".
Entretanto, ele observou que a UE, pelo contrário, planeja introduzir restrições adicionais à compra de hidrocarbonetos russos, incluindo gás natural liquefeito, culminando em uma proibição total desses fornecimentos em 2027. O presidente afirmou que incumbiu o governo de avaliar a conveniência de suspender o fornecimento de combustível russo para a Europa, sem esperar "que a porta se feche na nossa cara", e de redirecionar esses volumes para destinos mais atrativos.
"Neste momento, a situação é tal que, se nos reorientarmos agora mesmo para os mercados que precisam aumentar a sua oferta, podemos estabelecer uma posição de destaque. Ou seja, onde existe uma procura estável a longo prazo e relações comerciais fiáveis a longo prazo, nesses países que estão a construir relações comerciais construtivas com a Rússia", explicou o presidente russo.