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Ex-ministro de Lula é deportado do Panamá por prisão durante ditadura militar

Após a intervenção do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o chanceler panamenho enviou uma carta de desculpas ao Itamaraty.
Ex-ministro de Lula é deportado do Panamá por prisão durante ditadura militarAgência Brasil

Durante uma conexão aérea com destino à Guatemala, autoridades do Panamá deportaram na sexta-feira (6) o ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2007-2010), Franklin Martins.

Segundo o relato detalhado do ex-ministro, divulgado pelo Poder360, dois policiais à paisana retiveram seu passaporte logo ao desembarcar no aeroporto internacional da Cidade do Panamá, conduzindo-o para uma área fechada. Martins foi então submetido a um interrogatório sobre sua participação em movimentos de oposição à ditadura militar brasileira e sua prisão em 1968, quando integrava o grupo MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro).

Após aproximadamente quatro horas de detenção, durante as quais Martins teriam fornecido dados pessoais e impressões digitais inúmeras vezes, o ex-ministro foi informado de que seria deportado no primeiro voo de volta ao Rio de Janeiro. A Lei de Migração de 2008 do Panamá foi referida como justificativa da decisão, que impediria a entrada ou conexão de estrangeiros com antecedentes considerados graves. Martins foi impedido de contatar a embaixada brasileira enquanto esteve detido.

Em seu relato ao Itamaraty, Martins sugeriu que a operação foi planejada a partir do cruzamento de informações de bases de dados do Panamá e dos Estados Unidos com os nomes dos passageiros do voo, apontando para a cooperação "intensa" entre os dois países. Funcionários da migração panamenha teriam mencionado que a aplicação da lei de migração havia se tornado mais rígida após decretos recentes do governo, aludindo acordos abrangentes na área de segurança assinados por EUA e Panamá no ano passado.

Repercussão

Após a intervenção do ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, o chanceler panamenho Javier Martínez-Acha enviou uma carta de desculpas ao Itamaraty. Martínez-Acha afirmou que o episódio "não reflete a consideração" do governo panamenho por Martins e sua trajetória política, declarando que o ex-ministro "será sempre bem-vindo ao Panamá" e ressaltando que as relações entre os dois países são "excelentes, caracterizadas por estreita cooperação, diálogo político fluido e sincera amizade".

Paralelamente, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), representando Martins enquanto jornalista, enviou uma carta de protesto ao embaixador do Panamá no Brasil, Flavio Gabriel Méndez Altamirano. O documento denuncia a detenção como arbitrária e alerta que atitudes como essa prejudicariam a Copa Airlines, que apresenta o Panamá como hub para conexões do Brasil com países da América Central, do Caribe e da América do Sul.