O preço do petróleo Brent no mercado internacional, referência global da commodity, disparou neste domingo (08) e chegou a 119,46 dólares por barril, atingindo o nível mais alto em anos e aumentando as preocupações sobre impactos na economia mundial.
Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, está sendo negociado a 112,01 dólares por barril. As novas cotações não eram vistas desde julho de 2022 e surgem em meio à interrupção do tráfego marítimo no estratégico Estreito de Ormuz, após a escalada de tensões provocada pela agressão de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Por que o preço do petróleo está subindo
O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao Mar da Arábia e ao Oceano Índico, foi praticamente interrompido nesta semana. Cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo passa por esse corredor marítimo, considerado um dos pontos mais estratégicos do comércio global de energia.
Com as exportações reduzidas, países produtores como Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos começaram a diminuir a produção, já que seus tanques de armazenamento estão próximos do limite devido à menor capacidade de envio do petróleo ao exterior.
Além disso, ataques com drones contra instalações petrolíferas na região aumentaram ainda mais as preocupações do mercado sobre possíveis interrupções no fornecimento global.
Impacto pode durar
Segundo Amir Zaman, chefe da equipe comercial para as Américas da Rystad Energy, campos petrolíferos do Oriente Médio que foram obrigados a interromper as operações podem levar tempo para retomar a produção normal.
Em entrevista à Al Jazeera, o especialista explicou que mesmo se o conflito diminuir, a retomada não será imediata. "O conflito pode terminar, mas a produção pode levar dias, semanas ou até meses para voltar ao nível anterior, dependendo do tipo e da idade dos campos petrolíferos e da forma como as operações foram interrompidas", afirmou.
Com a incerteza sobre o fornecimento e as tensões geopolíticas em alta, analistas alertam que a escalada do preço do petróleo pode pressionar a inflação global, elevar custos de transporte e energia e afetar diretamente o crescimento econômico em vários países.
Como o aumento do petróleo afeta a economia
A alta global do preço do petróleo vem sacudindo os mercados financeiros e levantando temores de que os maiores custos de energia alimentem a inflação e reduzam o consumo dos americanos.
O preço do galão de gasolina comum subiu para US$ 3,45 no domingo, cerca de 47 centavos a mais que na semana anterior.
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou: "Nunca se sabe exatamente por quanto tempo isso vai durar, mas, no pior cenário, pode se estender por semanas, não meses."
No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer cogitou intervir para ajudar famílias a lidar com o aumento das contas de energia, segundo a Bloomberg.
Ele enfrenta pressão de sindicatos e de parlamentares trabalhistas para preparar um pacote de apoio caso o conflito se prolongue.
Alertas do Irã e da Rússia
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, advertiu que, se o conflito no Oriente Médio continuar escalando, o mercado de energia pode sofrer consequências ainda mais graves. Segundo ele, a guerra prolongada poderia criar uma situação em que "não haverá nem como vender petróleo nem capacidade para produzi-lo".
Do lado russo, o enviado especial da Presidência e diretor do Fundo Russo de Investimento Direto, Kirill Dmitriev, afirmou que os efeitos do conflito "está só começando a reverberar" na economia global.
Trump: "Pequeno preço" diante da ameaça nuclear do Irã
O presidente Donald Trump também se manifestou sobre a situação:
"Os preços do petróleo no curto prazo, que cairão rapidamente quando a destruição da ameaça nuclear do Irã terminar, são um preço muito pequeno a pagar pela segurança e paz dos EUA e do mundo. Apenas tolos pensariam diferente!", escreveu Trump em sua rede Truth Social.
Os ataques israelenses a diversos depósitos de petróleo em Teerã provocaram indignação nos EUA e geraram as primeiras divergências entre Washington e Tel Aviv em sua campanha conjunta contra o Irã, segundo a Axios, que cita autoridades americanas e israelenses, além de uma fonte próxima ao assunto.
Autoridades de ambos os países afirmaram que Tel Aviv avisou os EUA antes da operação, mas a fonte americana disse que as Forças Armadas ficaram surpresas com a dimensão do ataque. "Não achamos que tenha sido uma boa ideia", comentou a fonte.
Um assessor de Trump acrescentou à Axios: "O presidente não gostou do ataque. Ele quer salvar o petróleo, não queimá-lo. E também quer que as pessoas lembrem do aumento dos preços da gasolina."