Brasil é um dos países que mais podem ganhar com o conflito no Irã - Bloomberg

Com a alta do petróleo registrada nesta sexta-feira (6), ao menos três nações da América Latina visam melhorar seus lucros na região.

A interrupção do suprimento mundial de petróleo pela escalada do conflito no Oriente Médio fez disparar, nesta sexta-feira (6), o preço do petróleo de referência internacional, o Brent. O valor chegou a US$ 92 (R$ 482) por barril — nível mais alto desde abril de 2024 —, o que pode acabar beneficiando majoritariamente o Brasil, o México e a Colômbia.

Segundo a Bloomberg Línea, por serem os principais vendedores da região, os países podem se beneficiar do cenário internacional. O trio, junto a Equador e Guiana, concentraram 93,6% do total de toneladas de petróleo exportadas em 2024.

A estatal Petroecuador já adiantou que o encarecimento do barril de petróleo poderia aumentar as receitas de exportação.

"O preço do barril do petróleo equatoriano é regido pelo indicador West Texas Intermediate (WTI). Por isso, quando o preço do WTI aumenta, o valor que a Petroecuador recebe por cada barril de petróleo comercializado também se eleva", explicou.

O WTI subiu para US$ 88 (R$ 461) por barril, após um avanço superior a 9%. É o indicador mais utilizado em contratos com os EUA, o mercado natural de exportação para o México e, em menor medida, para a Colômbia.

"Na conjuntura atual do mercado petrolífero, em que o WTI aumenta seu preço, a Petroecuador poderá, sim, vender melhor seu petróleo e obter melhores lucros para o Estado", acrescentou.

Estabilidade regional e logística

Além disso, enquanto o ataque dos EUA e de Israel contra o Irã desencadeou uma onda de bombardeios no Oriente Médio, com as respectivas represálias persas, a América Latina apresenta uma relativa estabilidade geopolítica e, portanto, maior confiabilidade logística para o transporte de petróleo bruto, aponta a Bloomberg.

Se a guerra continuar, com o Estreito de Ormuz bloqueado, os importadores de petróleo terão que buscar novos vendedores. "Poderia ser uma oportunidade", declarou o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), Roberto Ardenghy.

"Os mercados se reorganizarão, mas isso dependerá de quão profunda for a crise no Oriente Médio", afirmou Ardenghy esta semana, citado pelo portal UOL. "O Brasil poderia se beneficiar disso, mas precisa continuar com o modelo atual de produção e exportação", completou.

Consequências globais

O conflito também provocou um aumento nos preços da energia e nos custos para as companhias energéticas e de navegação, cujos navios não podem passar pelo Estreito de Ormuz. A passagem marítima é uma das mais importantes do mundo, por onde transita aproximadamente um quinto do comércio mundial de petróleo em alto-mar.

Os preços do gás também dispararam em decorrência do conflito. Na segunda-feira (2), os contratos futuros do gás natural europeu subiram 52% como consequência da suspensão da produção de gás natural liquefeito (GNL) pela Qatar Energy em seu complexo de Ras Laffan, o maior do mundo. A interrupção na produção ocorreu após um drone atacar um tanque de água em suas instalações.