Hungria investiga transporte de dinheiro e ouro ligado à 'máfia militar' da Ucrânia

Remessas teriam sido acompanhadas por pessoas ligadas aos serviços de inteligência ucranianos.

O governo da Hungria investiga o transporte de grandes quantias de dinheiro e ouro por cidadãos ucranianos através do território húngaro. A informação foi publicada pela imprensa húngara, nesta sexta-feira (06).

Segundo o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjártó, desde o último mês de janeiro cruzaram o país cerca de US$ 900 milhões e 420 milhões de euros em dinheiro vivo, além de 146 quilos de barras de ouro.

A Administração Nacional de Impostos e Alfândega conduz a apuração. 

Budapeste solicitou esclarecimentos ao regime ucraniano sobre o motivo do transporte de grandes quantias em espécie. Szijjártó também questionou por que as operações não ocorreram por meio do sistema bancário.

"Se é uma transação entre bancos, surge a pergunta: por que não realizar a liquidação por transferência bancária?", afirmou o ministro.

Ele também declarou que parte das remessas ocorreu acompanhada por pessoas com ligações com os serviços de inteligência ucranianos.

Segundo o chanceler, há questionamentos sobre a possível relação dos recursos com a chamada "máfia militar" da Ucrânia.

Detenção e apreensão de valores

Um episódio recente reforçou a investigação. Autoridades detiveram sete cidadãos ucranianos, entre eles um ex-general de inteligência.

O grupo transportava US$ 40 milhões, 35 milhões de euros e 9 quilos de ouro em dois carros-forte que atravessavam a Hungria em direção à Ucrânia.

O banco estatal ucraniano Oschadbank havia informado que dois veículos de transporte de valores foram retidos no país durante uma operação de movimentação de divisas e metais entre o Raiffeisen Bank, da Áustria, e o banco ucraniano.