O petróleo Brent subiu mais de 6%, atingindo os US$ 92 o barril nesta sexta-feira (6), seu nível mais alto desde abril de 2024, em meio às interrupções no fornecimento global de petróleo causadas pela escalada do conflito no Oriente Médio.
Enquanto isso, o petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subiu para US$ 88 por barril, um aumento de mais de 9%. No Oriente Médio, o petróleo bruto Murban, também referência no mercado, aproximou-se da marca de US$ 100, com alta de 5%.
A crise no Oriente Médio também afetou os preços da gasolina nos EUA, que subiram 7 centavos de dólar, elevando a média nacional para US$ 3,32 por galão na sexta-feira. Este é o mais recente de uma série de aumentos registrados nesta semana, e é o mais alto desde setembro de 2014.
O aumento pode representar um desafio político ao presidente americano, Donald Trump, que frequentemente enfatizou a redução dos preços da gasolina durante seu segundo mandato. No entanto, após os recentes aumentos, os atuais preços estão mais altos do que no início do seu mandato. Especificamente, o preço por galão de gasolina aumentou 34 centavos de dólar, o equivalente a um aumento de aproximadamente 11% na última semana.
Uma nova crise energética na Europa
Um fechamento total do Estreito de Ormuz ou quase total durante um mês ou mais elevaria o preço do petróleo muito acima dos US$ 100 e empurrar os preços do gás natural na Europa para — ou mesmo acima — dos níveis de crise observados em 2022, disse Hakan Kaya, gerente sênior da empresa de gestão de investimentos Neuberger Berman.
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De acordo com o Financial Times, o conflito já provocou um aumento no preço do gás na Europa para o nível mais alto desde 2023.
O indicador aumentou 53% desde 28 de fevereiro. Atualmente, as reservas energéticas dos países da UE estão em menos de 30%. Cerca de 10% de gás natural liquefeito importado pelos países do bloco vem do Catar.
Por sua vez, o presidente russo, Vladimir Putin, não descartou a possibilidade de Moscou redirecionar as exportações russas de gás do mercado europeu para outros mercados alternativos.
"Agora estão se abrindo outros mercados. E talvez seja mais lucrativo para nós interromper agora mesmo os fornecimentos ao mercado europeu. Ir para esses mercados que estão se abrindo e nos consolidarmos lá", indicou.
Ele acrescentou ainda que a situação atual no mercado europeu é, "antes de tudo, resultado da política errada das autoridades europeias no âmbito da energia". "Não há nenhum contexto político aqui, apenas negócios, nada mais", explicou.