Relatório aponta EUA como autores de bombardeio a escola no Irã que matou 165 crianças

Os EUA confirmaram ataques contra alvos navais iranianos na região naquele dia, enquanto Israel afirma não ter conduzido operações no local. Autoridades americanas dizem que o caso está "sob investigação".

Um levantamento feito por pesquisadores americanos, baseados em imagens de satélite, vídeos verificados e publicações nas redes sociais, indica que o ataque que atingiu uma escola primária no sul do Irã em 28 de fevereiro ocorreu ao mesmo tempo que bombardeios contra uma base naval da Guarda Revolucionária.

O ataque se deu contra a cidade de Minabe, perto do estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. Segundo autoridades iranianas, cerca de 180 pessoas foram mortas, entre elas 165 crianças, pelo bombardeio à escola Shajarah Tayyebeh, entre elas crianças e professores.

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Estados Unidos e Israel não assumiram responsabilidade. A análise, citada por mídias como Reuters e New York Times, sugere que a escola foi atingida durante supostos "ataques de precisão" contra uma base naval da Guarda Revolucionária próxima.

O que revelam as novas imagens de satélite

As imagens de satélite mostram seis prédios militares atingidos: quatro destruídos e dois com impactos centrais nos telhados, padrão típico de munições guiadas.

A proximidade entre a escola e as instalações militares reforça a hipótese de que o prédio foi atingido durante essa operação.

O que dizem os EUA e Israel?

As autoridades americanas confirmaram ataques a alvos navais iranianos no sul do país naquele dia. Em coletiva, o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, disse que forças dos EUA operaram na região nas primeiras 100 horas da ofensiva contra o Irã.

Um mapa apresentado por ele incluía Minab entre as áreas atacadas. O grupo do porta-aviões USS Abraham Lincoln atuava no mar para reduzir capacidades navais iranianas.

O porta-voz do Exército israelense, Nadav Shoshani, alegou que Israel não conduzia operações na área no momento do ataque, o que reforça a possibilidade de autoria americana.

"Mapa desatualizado"

Especialistas em segurança e direito internacional apontam para um eventual "erro de identificação" do alvo. Imagens históricas indicam que a escola já teria supostamente integrado o complexo naval e depois teria sido convertida em centro educacional.

Se essa hipótese for válida, se dados desatualizados tiverem sido usados, o prédio pode ter sido "confundido" com uma instalação militar. Analistas também descartaram a hipótese de um míssil iraniano desviado.

Autoridades americanas dizem que o caso está "sob investigação". Se a autoria dos EUA for confirmada, o episódio pode reacender o debate sobre vítimas civis e o respeito ao direito internacional em operações militares.