ONU chama atenção para riscos e benefícios da produção de minerais críticos diante de alta demanda

Hoje em dia, minerais críticos, em particular, lítio, cobalto e níquel, passaram de recursos de demanda limitada em áreas específicas para recursos estratégicos para o desenvolvimento econômico.

Na quinta-feira (5), uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas discutiu o tema "energia, minerais críticos e segurança", em que a subsecretária-geral das Nações Unidas para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, chamou atenção para o aumento da demanda por minerais críticos que, ao mesmo tempo, criam oportunidades e riscos. Os principais pontos discutidos no encontro foram divulgados em um comunicado no site oficial da ONU. 

Hoje em dia, minerais críticos, em particular, lítio, cobalto e níquel, passaram de recursos de demanda limitada em áreas específicas para recursos estratégicos para o desenvolvimento econômico, pois são atualmente empregados em uma ampla gama de tecnologias imprescindíveis que vão de veículos até celulares. 

A demanda por lítio cresceu em 30% em 2024 e por níquel, cobalto, grafite e terras raras - em de 6 a 8%, mas DiCarlo prevê que a procura "pode triplicar até 2030 e quadruplicar até 2040", o que implica tanto em oportunidades quanto em riscos. 

Riscos 

Segundo o comunicado, caso a demanda continue aumentando neste ritmo desenfreado, a competição geopolítica pelo recurso poderá se refletir em violação dos direitos humanos e degradação do meio ambiente diante da falta de regras justas e de uma legislação abrangente para seu comércio e extração. 

DiCarlo salientou que o risco é elevado em países que sofrem com instabilidade política, lembrando que cerca de 70% de cobalto no mundo é originário da República Democrática de Congo e que Myanmar possui uma enorme reserva de terras raras

Além disso, não é raro que áreas abundantes em minerais críticos estejam localizadas em áreas de extração ilegal, fraca fiscalização e de intensa atividade militar. 

Desta forma, a entidade prevê o agravamento dessas questões.

Perspectivas 

Em seu discurso na reunião, o Secretário da Energia das Nações Unidas, Chris Wright, salientou que "segurança energética é segurança nacional". O caso da Libéria mostra como a comunidade internacional, através de sanções e mecanismos de supervisão, pode contribuir para criar um espaço para reformas. "Os minerais que impulsionam as tecnologias do futuro também devem ajudar a impulsionar a paz no presente", salientou o representante do país. 

Representantes de vários países destacaram que, para que haja prosperidade nos países que possuem tais recursos, é preciso se afastar da mentalidade colonialista, e permitir que os países conduzam políticas soberanas. "Eles podem e devem ser transformados em benefícios diretos para os territórios que as produzem e para as pessoas que neles vivem", destacou a representante da Colômbia.

Outras condições listadas por outros países incluíam o cumprimento do direito internacional, a gestão sustentável e responsável e a transparência