'É o início de uma nova era, a era do colapso energético total da Europa' - enviado de Putin

Kirill Dmitriev afirmou que, ao rejeitar o fornecimento de energia russa, a União Europeia "deu tantos tiros no pé que já não tem mais pés".

O enviado especial da Presidência russa e diretor-geral do Fundo Russo de Investimento Direto, Kirill Dmitriev, em postagem no X nesta sexta-feira (6), criticou duramente os líderes da União Europeia (UE) por sua política energética.

Para Dmitriev, a Europa está caminhando para uma crise devido à decisão de reduzir e eliminar as importações de energia russa.

"Este é o início de uma nova era: a era do colapso energético total e da falência da Europa devido às decisões idiotas de Ursula, Kaja e outros russofóbicos", escreveu ele, referindo-se a Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e à alta representante da UE para Assuntos Externos e Segurança, Kaja Kallas.

O enviado especial afirmou que, ao rejeitar o fornecimento de energia russa, "a UE deu tantos tiros no próprio pé que já não tem mais pés".

O comentário foi uma resposta às declarações feitas em dezembro de 2025 por Von der Leyen, que comemorou o acordo alcançado pela UE para encerrar todas as importações de gás russo até 2027. "Este é o início de uma nova era, a era da independência energética total da Europa em relação à Rússia", afirmou a executiva na ocasião.

Uma nova crise energética na Europa

Um fechamento total do Estreito de Ormuz ou quase total durante um mês ou mais elevaria o preço do petróleo muito acima dos US$ 100 e empurrar os preços do gás natural na Europa para — ou mesmo acima — dos níveis de crise observados em 2022, disse Hakan Kaya, gerente sênior da empresa de gestão de investimentos Neuberger Berman.

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De acordo com o Financial Times, o conflito já provocou um aumento no preço do gás na Europa para o nível mais alto desde 2023.

O indicador aumentou 53% desde 28 de fevereiro. Atualmente, as reservas energéticas dos países da UE estão em menos de 30%. Cerca de 10% de gás natural liquefeito importado pelos países do bloco vem do Catar. 

Por sua vez, o presidente russo, Vladimir Putin, não descartou a possibilidade de Moscou redirecionar as exportações russas de gás do mercado europeu para outros mercados alternativos.

"Agora estão se abrindo outros mercados. E talvez seja mais lucrativo para nós interromper agora mesmo os fornecimentos ao mercado europeu. Ir para esses mercados que estão se abrindo e nos consolidarmos lá", indicou.

Ele acrescentou ainda que a situação atual no mercado europeu é, "antes de tudo, resultado da política errada das autoridades europeias no âmbito da energia". "Não há nenhum contexto político aqui, apenas negócios, nada mais", explicou.