
Kremlin comenta planos nucleares de país vizinho membro da OTAN

O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, afirmou nesta sexta-feira (6) que os planos da Finlândia de suspender a proibição da implantação de armas nucleares em seu território estão levando "a uma escalada das tensões no continente europeu".

"Esta declaração torna a Finlândia mais vulnerável, uma vulnerabilidade causada pelas próprias autoridades finlandesas", disse o porta-voz do Kremlin, referindo-se ao anúncio feito no dia anterior pelo Ministro da Defesa do país, Antti Hakkanen, que afirmou estar disposto a mudar a legislação do país sobre armas nucleares.
"Ao implantar armas nucleares em seu território, a Finlândia começa a nos ameaçar", argumentou Peskov. "E se a Finlândia nos ameaçar, tomaremos as medidas cabíveis", advertiu.
«A OTAN É UMA 'ALIANÇA DEFENSIVA'? DESCUBRA EM NOSSO ARTIGO»
Na sua forma atual, a Lei de Energia Nuclear da Finlândia proíbe o trânsito de armas nucleares pelo território do país, bem como a sua importação, fabricação, posse e detonação. Hakkanen declarou à imprensa que esta legislação, que data da década de 1980, já não "atende às necessidades da Finlândia enquanto membro da OTAN".
Ele afirmou que o transporte de ogivas nucleares para a Finlândia só seria permitido em situações diretamente relacionadas com a defesa do país e que, em todos os outros casos, posicionar armas nucleares no território nacional continuaria estritamente proibido.
Contudo, Hakkanen se recusou se a dar exemplos de situações concretas em que tais armas poderiam ser mobilizadas, alegando a natureza sigilosa da política nuclear da OTAN.
Hakkanen enfatizou ainda que a Finlândia não pretende abrigar armas nucleares no seu território e que os exercícios nucleares da OTAN não deverão destacar tais armas no país no futuro.
