Cientistas sugerem que 55 baleias encalharam na Escócia por 'lealdade ao grupo'

Um relatório do Diretório Marítimo escocês aponta que, entre diversos fatores, uma fêmea com problemas no parto poderia ter causado a tragédia ambiental.

O encalhe em massa de 55 baleias-pilotos na Ilha de Lewis, na Escócia, em 2023, teria sido causado por uma fêmea grávida do bando, segundo informou o The Guardian nesta sexta-feira (6) citando um relatório da Diretório Marítima do país.

Inicialmente, os pesquisadores especularam que o incidente incomum na praia de Tràigh Mhòr, em Tolsta, poderia ter sido provocado por algum trauma, doença, ou até mesmo por ruídos intensos de atividades militares ou industriais.

No entanto, o relatório do Diretório Marítimo do governo escocês apontou para uma combinação de fatores – biológicos, comportamentais e ambientais – sugerindo que as baleias-piloto, uma espécie conhecida por altamente social, morreram porque estavam seguindo uma fêmea que passava por um parto difícil.

De acordo com Andrew Brownlow, cientista responsável pela investigação do Scottish Marine Animal Stranding Scheme (Smass), eventos como este raramente têm uma única causa. Ele explica que o encalhe em massa surge da combinação da saúde individual de cada baleia, do comportamento social do grupo e das condições do ambiente marinho.

Esse comportamento — no qual um grupo se reúne para apoiar um membro doente ou ferido — pode ser crucial para a sobrevivência em alto-mar como uma forma de defesa contra predadores, explicou Brownlow.

Incapazes de retornar à água, as baleias tiveram que ser sacrificadas na costa para evitar o sofrimento.