Trump diz que Cuba 'quer chegar a um acordo'

O presidente norte-americano descreveu a atual conjuntura do país caribenho como "assombrosa".

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (5) que Cuba "quer chegar a um acordo", descrevendo a atual conjuntura do país caribenho como "assombrosa".

"Acreditamos que primeiro queremos solucionar, encerrar isto [o conflito com o Irã], mas será apenas uma questão de tempo para que [...] muita gente incrível retorne a Cuba", declarou.

Trump indicou que o secretário de Estado, Marco Rubio, "está fazendo um trabalho fantástico" em relação a Havana. "Queremos fazer essa [operação] especial em Cuba [...] mas [Rubio] disse: 'Vamos terminar primeiro com esta [no Irã]'. Podemos fazer todas ao mesmo tempo, mas coisas ruins acontecem. Se você observar os países ao longo dos anos, se as faz rápido demais, coisas ruins acontecem. Não vamos permitir que nada de ruim aconteça com este país", sustentou.

Ameaças de Trump a Cuba

Em 29 de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva que declara uma "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança do país norte-americano e da região.

O texto acusa o governo cubano de se alinhar a "numerosos países hostis", de acolher "grupos terroristas transnacionais" como o Hamas e o Hezbollah, e de permitir o destacamento na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.

Assim, Washington anunciou a imposição de tarifas aos países que vendem petróleo à nação caribenha, somando-se a ameaças de represálias contra aqueles que atuem de forma contrária à ordem executiva da Casa Branca. Posteriormente, Trump reconheceu que seu governo mantinha contatos com Havana e indicou que pretendem chegar a um acordo, embora tenha classificado o Cuba como uma "nação em decadência" que "já não conta com a Venezuela" para se sustentar.

Isso tudo ocorre em meio ao bloqueio econômico e comercial que os EUA mantêm contra Havana há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi agora reforçado com inúmeras medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.

"Ninguém nos diz o que fazer"

Todas as acusações infundadas de Washington têm sido rejeitadas sistematicamente pelo governo cubano, que alertou que defenderá sua integridade territorial.

Por sua vez, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou: "Esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano com fins puramente pessoais".

"Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos diz o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos EUA há 66 anos, e não ameaça; ela se prepara, disposta a defender a pátria até a última gota de sangue", expressou o presidente cubano.

Enquanto isso, a Rússia ressaltou sua "firme disposição de seguir prestando a Cuba o apoio político e material necessário". "Pela parte russa, confirmou-se a posição de princípio a respeito da inaceitabilidade de exercer pressão econômica e militar sobre Cuba, incluindo o bloqueio do suprimento de energia à ilha, o que poderia provocar uma grave deterioração da situação econômica e humanitária no país", assinalou a Chancelaria.