O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (5) que o país e as "autoridades interinas da Venezuela concordaram em restabelecer as relações diplomáticas e consulares".
Caracas confirmou a informação. "A Venezuela expressa sua confiança que este processo ajudará a fortalecer o entendimento e abrir oportunidades para uma relação positiva", afirma comunicado do governo da presidente encarregada, Delcy Rodriguez.
O órgão norte-americano, por sua vez, declarou em nota que o "compromisso é ajudar o povo venezuelano a avançar por meio de um processo gradual que crie as condições para uma transição pacífica rumo a um governo democraticamente eleito".
"Os Estados Unidos permanecem comprometidos em apoiar o povo venezuelano e em trabalhar com parceiros em toda a região para promover a estabilidade e a prosperidade", concluiu.
Agressões dos EUA
Os EUA lançaram, no dia 3 de janeiro, uma agressão militar massiva em território venezuelano, que afetou Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Os locais atacados eram principalmente de interesse militar, embora também tenham sido atingidas áreas urbanas e houvesse vítimas civis.
A operação resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que foram levados para Nova York, onde estão em um centro de detenção federal. Ambos se declaram inocentes das acusações de narcoterrorismo em uma audiência preliminar.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, assumiu como presidente encarregada por decisão do Supremo Tribunal de Justiça, que interpretou a ausência de Maduro como temporária. Rodriguez, em uma entrevista concedida em fevereiro, declarou que Nicolás Maduro "é o presidente legítimo".
Caracas classificou as ações de Washington como uma "grave agressão militar" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".
Muitos países do mundo, entre eles a Rússia e a China, pediram a libertação de Maduro e sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa.