Brasil inicia tratamento inédito para malária em crianças

Novo medicamento pediátrico começa a ser distribuído em territórios indígenas na Amazônia.

O Ministério da Saúde começou a distribuir, na segunda-feira (2), a tafenoquina na formulação pediátrica de 50 mg para o tratamento da malária em crianças com peso entre 10 kg e 35 kg, pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O Brasil é o primeiro país do mundo a disponibilizar o medicamento nessa apresentação. O público infantil concentra cerca de 50% dos casos da doença no país.

A distribuição do medicamento ocorre de forma gradual, com foco em territórios indígenas e áreas prioritárias da região Amazônica, incluindo o território Yanomami. Ao todo, serão distribuídos 126.120 comprimidos da nova formulação, com investimento de R$ 970 mil.

Segundo a pasta, 64.800 comprimidos já foram recebidos e serão destinados a áreas de maior incidência da doença, como os Distritos Sanitários Especiais Indígenas Yanomami, Alto Rio Negro, Rio Tapajós, Manaus, Vale do Javari e Médio Rio Solimões e Afluentes. Esses territórios concentram cerca de metade dos casos de malária em crianças e jovens de até 15 anos.

O secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba, afirmou que a incorporação do medicamento representa um avanço no enfrentamento da doença. "Esse é mais um exemplo da potência do Sistema Único de Saúde ao incorporar um medicamento com eficácia comprovada, com o objetivo de reduzir ainda mais os casos de malária no Brasil e contribuir para superar essa emergência sanitária", declarou.

A nova formulação será administrada em dose única, o que, segundo o ministério, facilita a adesão ao tratamento, permite ajuste da dose conforme o peso da criança e contribui para reduzir recaídas e a transmissão da doença.

De acordo com dados oficiais, o Brasil registrou em 2025 o menor número de casos de malária desde 1979, com redução de 15% em relação a 2024. Nas áreas indígenas, a queda foi de 16%, enquanto os casos causados pelo parasita Plasmodium falciparum, responsável pela forma mais grave da doença, diminuíram 30%.