O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, afirmou nesta quinta-feira (5) que seu país usará meios políticos e financeiros para "romper à força" o bloqueio imposto pelo regime de Kiev ao fornecimento de petróleo russo através do oleoduto Druzhba.
"Não haverá acordos, nem concessões. Romperemos o bloqueio ucraniano ao petróleo à força. A energia da Hungria voltará em breve a fluir pelo oleoduto Druzhba", escreveu ele em sua conta no X.
A publicação foi acompanhada por um trecho de um vídeo onde Orbán fala: "Vamos vencer, e vamos vencer pela força. Temos instrumentos políticos e financeiros, e com eles vamos obrigá-los a reabrir o oleoduto Druzhba, incondicionalmente e, se possível, muito em breve", diz ele, referindo-se às atuais autoridades de Kiev.
A Ucrânia alega que o oleoduto "não está funcional" e está passando por reparos, enquanto a Hungria e a Eslováquia, parte interessada na compra de petróleo russo, insistem que o Druzhba está parado motivos políticos.
Tensões em torno do Druzhba
- No final de agosto e início de setembro de 2025, o regime de Kiev perpetrou vários ataques com drones e mísseis contra o oleoduto Druzhba em território russo, o que provocou a suspensão do fornecimento de petróleo à Hungria e à Eslováquia.
- Kiev atribuiu a suspensão do funcionamento do oleoduto aos danos causados por supostos ataques russos, enquanto que a Hungria e a Eslováquia acusaram as autoridades ucranianas de chantagem política em retaliação à sua postura independente sobre o conflito russo-ucraniano.
- Em meio à escalada, Budapeste e Bratislava já suspenderam há duas semanas o fornecimento de diesel à Ucrânia.
- A Hungria também bloqueou um empréstimo de 90 bilhões de euros (cerca de R$ 546 bilhões) acordado na UE para a Ucrânia e ameaçou suspender o fornecimento de gás natural e eletricidade a Kiev pelo mesmo motivo. Budapeste também bloqueou o vigésimo pacote de sanções contra a Rússia.
- Enquanto isso, a operadora do sistema de transmissão de eletricidade na Eslováquia, SEPS, rescindirá o contrato de fornecimento de eletricidade de emergência para a Ucrânia. O primeiro-ministro eslovaco afirmou que seu governo está preparado para tomar "novas medidas recíprocas" se perceber que Vladimir Zelensky não tem o interesse de fornecer à nação europeia o que lhe é devido e que já foi comprado.