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Mesmo com alta de 46% nas exportações de alumínio, principal indústria de Moçambique pode fechar

Fundição Mozal impulsionou receitas de mais de US$ 700 milhões no primeiro semestre de 2025, mas impasse sobre tarifas de energia ameaça continuidade da produção.
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As receitas de exportação de alumínio de Moçambique, praticamente concentradas na Mozal — a maior operação industrial do país e com encerramento previsto para 15 de março —, dispararam no primeiro semestre de 2025 e atingiram US$ 702 milhões (R$ 3,68 bilhões), alta de 46% com relação ao ano anterior. No mesmo período de 2024, o valor havia sido de US$ 479,9 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões), informou a mídia moçambicana nesta quinta-feira (5).

O crescimento foi impulsionado tanto pela alta dos preços internacionais quanto pelo aumento do volume exportado, composto principalmente por barras de alumínio.

Apesar do avanço, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que a possível paralisação das operações da Mozal representa um risco significativo para a economia do país. A suspensão pode ocorrer devido à falta de acordo com o governo sobre as tarifas de eletricidade. Atualmente, a fundição responde por cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique.

O impacto social e trabalhista de um eventual fechamento também preocupa sindicatos. A principal central sindical do país, a OTM-CS, classificou o cenário como um possível "terremoto nacional".

A entidade destaca que a empresa é uma das maiores indústrias do país, responsável por impulsionar as exportações e gerar milhares de empregos diretos e indiretos. Segundo a OTM-CS, a companhia já comunicou ao comitê sindical a intenção de avançar com demissões coletivas, caso o encerramento seja confirmado.

A empresa australiana South32, proprietária da Mozal, informou que a fundição poderá entrar em regime de "care and maintenance" (manutenção com atividades suspensas) a partir de março de 2026. A companhia afirma que ainda não foi possível garantir fornecimento suficiente de eletricidade a preços competitivos, apesar das negociações em curso com o governo, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa e a empresa sul-africana Eskom.