
Quem é Daniel Vorcaro, banqueiro no centro do escândalo do Banco Master

O empresário do setor financeiro Daniel Bueno Vorcaro, de 42 anos, proprietário do Banco Master, foi preso na quarta-feira (4), em São Paulo, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e apura suspeitas de irregularidades na gestão do banco.

Vorcaro foi preso preventivamente em 18 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, quando se preparava para embarcar para Dubai. A prisão ocorreu no mesmo dia em que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.
Ele foi solto ainda no mesmo mês.
A prisão ocorre após anos de rápida expansão do Banco Master, período em que Vorcaro ganhou visibilidade no mercado financeiro e ampliou sua influência política ao realizar aquisições e expandir as operações do grupo.
Ascensão no sistema bancário
A entrada de Vorcaro no sistema bancário ocorreu em 2016. Na época, o Banco Máxima, controlado pelo empresário Saul Sabbá, enfrentava dificuldades financeiras.
Segundo o jornal Valor Econômico, a instituição acabou sendo oferecida ao empresário, que já mantinha relações de negócios com Sabbá no mercado de fundos imobiliários.
No ano seguinte, Vorcaro assumiu o controle do banco.
Em 2021, o banco passou a se chamar Banco Master e iniciou uma fase de expansão acelerada no setor financeiro, com a ampliação das operações e aquisições no mercado bancário.
Entre os negócios do grupo estão o Banco Voiter (antigo Indusval), o Banif Brasil (Banco Internacional do Funchal Brasil) e o Will Bank, banco digital adquirido em 2024.
O colapso financeiro do Banco Master
O cenário mudou em novembro de 2025, quando o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.
Dados consolidados após a intervenção indicam que o rombo deixado pelo banco e por instituições coligadas chega a cerca de R$ 52 bilhões.
Parte das perdas foi registrada no Will Bank, onde a liquidação apontou um rombo estimado em R$ 6,3 bilhões.
No Banco Voiter, antigo Indusval, o custo de saneamento pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) chegou a R$ 4,9 bilhões.
A crise levou Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa a fazerem aportes emergenciais para reforçar o caixa do FGC.
Nos meses que antecederam a liquidação, Vorcaro buscou compradores para ativos do grupo, entre eles o Will Bank, considerado estratégico para o conglomerado.
A investigação criminal
Paralelamente à crise financeira do banco, a Polícia Federal passou a investigar a atuação de pessoas ligadas ao grupo.
As apurações deram origem à Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraude financeira, lavagem de dinheiro, ameaças e monitoramento de pessoas consideradas adversárias do conglomerado.
A segunda fase da operação foi deflagrada em 14 de janeiro de 2026, quando a Polícia Federal cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Vorcaro, familiares e outros investigados em quatro estados.
Na ocasião, a Justiça determinou o sequestro e bloqueio de quase R$ 6 bilhões em bens e valores, no âmbito de apurações sobre um suposto esquema de captação de recursos e desvio de dinheiro.
A terceira fase da operação, deflagrada em 4 março de 2026, teve como alvo integrantes do grupo e levou à prisão de Vorcaro.
Em decisão sobre o caso, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou a existência de uma estrutura voltada ao monitoramento e à intimidação de pessoas consideradas contrárias aos interesses do grupo financeiro.
Como funcionava o esquema
A primeira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025 para apurar a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras ligadas ao Sistema Financeiro Nacional.
Segundo a investigação, uma instituição teria criado carteiras de crédito sem lastro, posteriormente vendidas a outro banco.
Após fiscalização do Banco Central, esses ativos teriam sido substituídos por outros sem avaliação técnica adequada.
As apurações tiveram início em 2024, após requisição do Ministério Público Federal, e investigam crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.




