Lula critica plano de Trump para Gaza: 'Querem resort onde há cadáveres de mulheres e crianças'

Ao citar mortes de civis, presidente afirma que propostas de reconstrução aparecem "como se fosse um resort para milionário passar as férias".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a destruição da Faixa de Gaza e questionou propostas de reconstrução do território ao mencionar mortes de civis durante discurso na abertura da 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para América Latina e Caribe, nesta quarta-feira (4), em Brasília.

Ao abordar conflitos armados e seus impactos sobre populações civis, Lula citou diretamente a situação no território palestino.

"Compensou destruir Gaza, matando a quantidade de mulheres, que mataram, e crianças, para agora aparecerem com pompa, criando um conselho para dizer, 'vamos reconstruir Gaza'", declarou.

Na sequência, o presidente afirmou que propostas apresentadas após os ataques levantam questionamentos sobre o futuro da região.

"Aí aparece como se fosse, sabe, um resort, para milionário passar as férias no lugar em que estão os cadáveres das mulheres e das crianças que morreram", disse.

Segundo Lula, a reação internacional diante de episódios como esse tem sido limitada. O presidente afirmou que a comunidade internacional não pode permanecer inerte diante de mortes de civis.

"E muitas vezes a gente fica impassível e se a gente não gritar, se a gente não falar, se a gente não se mexer, nada acontece", declarou.

A fala ocorreu durante a abertura da conferência da FAO, que reúne representantes de países da América Latina e do Caribe para discutir segurança alimentar e combate à fome. Durante o discurso, Lula afirmou que parte dos recursos destinados a armamentos e conflitos poderia ser direcionada para enfrentar a fome no mundo.

O presidente também citou dados sobre gastos militares globais e afirmou que os valores poderiam ser utilizados para combater a fome e ampliar o acesso à alimentação. Segundo Lula, a questão da fome está ligada às prioridades adotadas pelos governos.