Secretário do Tesouro dos EUA: 'Os espanhóis colocam em perigo as vidas americanas'

Bessent criticou a recusa do governo de Pedro Sánchez em permitir o uso de suas bases militares na agressão ao Irã.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou nesta quarta-feira (4) que "os espanhóis colocam em perigo a vida dos norte-americanos", após o governo do país europeu negar a Washington o uso de suas bases para a agressão contra o Irã, iniciada no último sábado (28).

"Foi inaceitável durante o fim de semana que os espanhóis se mostrassem tão pouco colaborativos", disparou Bessent, um dia depois de o presidente americano, Donald Trump, pedir que ele avaliasse um possível pacote de sanções contra a Espanha em resposta à decisão soberana sobre as bases.

Em entrevista à CNBC, o chefe do Tesouro afirmou que "qualquer coisa que retarde" os ataques dos EUA contra o Irã, na denominada operação "Fúria Épica", "coloca em perigo a vida dos americanos", já que o objetivo de Washington seria conduzir uma guerra "da maneira mais rápida e eficaz".

Nas últimas horas, as tensões escalaram. O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, ratificou nesta quarta-feira que sua administração não quer se somar ao conflito, após pedir uma desescalada e o estabelecimento de uma mesa de negociação com Teerã.

"A posição do governo da Espanha se resume em quatro palavras: não à guerra", disse Sánchez em um pronunciamento interpretado como resposta às críticas de Trump.

Ameaças dos EUA

Embora o presidente norte-americano tenha acenado com a possibilidade de castigar a Espanha com sanções econômicas, nesta quarta-feira Bessent evitou uma resposta concreta a respeito e se limitou a endossar as ameaças de Trump.

"A frustração do presidente Trump com o governo espanhol é justificada. Em primeiro lugar, têm sido péssimos aliados; são o único membro da OTAN que não cumpre os requisitos da Aliança, o que é conhecido como serem aproveitadores", sustentou.

No entendimento de Bessent, o governo de Sánchez "está se aproveitando" dos EUA e do restante dos aliados da OTAN, devido à recusa em aumentar o orçamento militar espanhol de 2% para 5%, por pressão de Trump.

"A OTAN nunca foi tão forte como agora graças ao presidente Trump, e os espanhóis não querem pagar a sua parte correspondente. E disseram: 'Bem, você sabe, temos os Pirineus entre nós e a Rússia'. Os EUA têm o Oceano Atlântico e somos o maior contribuinte da OTAN", argumentou o secretário do Tesouro.