Merz apoia Trump e critica Espanha por recusa a ampliar gastos militares na OTAN

Governo alemão também pressionou Madri pelo cumprimento das metas de gastos em defesa com a aliança. Trump voltou a falar sobre a recusa espanhola em autorizar o uso de bases militares pelos EUA.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, juntou-se às críticas lançadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a Espanha, aliada tradicional de ambos os países. É o que mostra a gravação da reunião entre os líderes, divulgada na terça-feira (3). 

Respondendo à pergunta do jornalista sobre o que acha da intenção de Trump de "punir" a Espanha, Merz acusou o país de falta de vontade a seguir o compromisso da OTAN de aumentar gastos em defesa em até 5% do PIB, dos quais 3,5% são para despesas militares e mais 1,5% para infraestrutura militar. 

Na mesma linha, Trump afirmou haver falta de cooperação por parte da Espanha, reforçando as críticas do país devido à recusa em autorizar o uso das bases militares espanholas de Morón e Rota por forças americanas envolvidas na operação contra o Irã. Após a decisão, Trump afirmou que Washington poderia interromper o comércio com a Espanha.

Ao comentar as ameaças, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, apontou que os EUA mantêm superávit no comércio com a Espanha e que Madri compra grandes volumes de gás natural liquefeito (GNL) americano.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, também defendeu uma solução diplomática para o conflito e resumiu a posição do governo em "quatro palavras: não à guerra ('no a la guerra', em espanhol)". Segundo ele, seria "ingênuo" acreditar que seguir decisões de outros países "de forma cega e servil" representa liderança.