O Comitê Olímpico Internacional (COI) recusou impor restrições aos atletas americanos e israelenses, depois que seus governos iniciaram uma agressão contra o Irã no sábado (28). A posição contraria decisões anteriores do mesmo comitê com outros países.
"Em um mundo abalado por conflitos, divisões e tragédias, com tantas vidas perdidas e tantas tragédias vividas, agora mais do que nunca, o COI mantém-se firme em sua convicção de que o esporte deve continuar sendo um farol de esperança", declarou a organização em nota divulgada na terça-feira (3).
O órgão acrescentou que "em cada edição dos Jogos Olímpicos, é preciso lidar com as consequências do contexto político atual e dos últimos acontecimentos no mundo".
"Ao mesmo tempo, é preciso estar à altura da missão de preservar uma plataforma esportiva verdadeiramente global e baseada em valores que possam dar esperança ao mundo", completou.
Duplo padrão em ação
Essa postura, contudo, não foi a mesma adotada com outras nações. Em 2022, atletas russos e belarussos – que já haviam chegado aos Jogos Paralímpicos de Pequim – antes mesmo do início da operação militar especial na Ucrânia, foram excluídos do evento.
"A diretoria executiva do COI recomenda que as federações esportivas internacionais e os organizadores de eventos esportivos não convidem nem permitam a participação de atletas e funcionários russos e bielorrussos em competições internacionais", declarou a organização em fevereiro de 2022.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, apontou esse duplo padrão.
"Nossos atletas não recebem vistos, credenciais, bandeiras ou uniformes. E dizem que há razões objetivas para isso. Não há razões objetivas! A situação no Oriente Médio confirmou que toda a política pública e a retórica do Ocidente coletivo em matéria de direitos humanos e supostos valores democráticos se revelaram uma mentira. Nada disso se aplica", declarou.
"Diante dos olhos do mundo inteiro, evidentemente com conhecimento de causa e escolhendo o alvo, matam mais de 160 meninas (...) E ninguém: nem o Departamento de Estado, nem o Palácio do Eliseu, ninguém diz uma palavra de pesar, ninguém pede perdão de joelhos", acrescentou, referindo-se ao ataque contra uma escola primária para meninas na cidade iraniana de Minab.
Por fim, concluiu que o esporte deve ser para os atletas, e não para manipulação política.