Os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã expuseram uma crescente divisão na liderança da União Europeia (UE), com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, em "rota de colisão" em uma luta pelo poder nos bastidores. É o que informou o Politico, na terça-feira (3), citando fontes.
Durante o fim de semana, a UE foi alvo de fortes críticas por não ter conseguido se unir e emitir uma declaração conjunta nas 48 horas seguintes aos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã. Segundo uma fonte anônima que falou ao Politico, von der Leyen e Kallas não se comunicaram diretamente durante o período.
Publicamente, Kallas divulgou uma declaração individual sobre a busca de soluções diplomáticas para o conflito meia hora antes de von der Leyen pedir "máxima contenção".
Não é "segredo nem novidade" que a equipe de von der Leyen esteja satisfeita em "marginalizar Kallas", disse um funcionário da UE ao veículo de comunicação, conhecido por seu acesso aos bastidores de Bruxelas.
O Politico afirmou que a ruptura entre as duas funcionárias da UE tornou-se evidente em 2025, quando von der Leyen pressionou pela criação de uma nova Direção-Geral para o Oriente Médio, Norte da África e Golfo dentro da Comissão Europeia — uma medida amplamente vista como uma tentativa de enfraquecer a influência da unidade de Kallas.
Um funcionário da UE disse à publicação que se espera que o novo órgão desempenhe um papel "central" na definição da estratégia da UE em relação ao Irã, apesar de o departamento de Kallas ser formalmente responsável por todos os assuntos externos.