
Moscou mantém apoio a Cuba diante de pressão dos EUA

"A Rússia sempre apoiou Cuba em sua luta pela independência e continua prestando apoio ao país", declarou nesta quarta-feira (4) a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.
Durante coletiva de imprensa, Zakharova afirmou que a ilha caribenha enfrenta atualmente "uma pressão econômica e militar sem precedentes por parte de Washington".
Segundo a porta-voz, Moscou e Havana mantêm há décadas "relações calorosas e amistosas que se desenvolveram historicamente".
"Sempre apoiamos Cuba (...) pelo direito de se desenvolver segundo seu próprio caminho, determinado por seus cidadãos, de se reger por suas próprias leis e de defender seus interesses nacionais", afirmou.

Zakharova também declarou que Cuba mantém uma postura de respeito à comunidade internacional e que o país "nunca atuou como agressor".
Nesse contexto, destacou que a cooperação entre Rússia e Cuba "não é dirigida contra terceiros países e não pode ser considerada prejudicial aos interesses de ninguém".
"Durante quase 70 anos, Cuba vive sob um severo bloqueio financeiro e econômico imposto pelos Estados Unidos, e a Rússia tem prestado e continua prestando o apoio diplomático necessário ao país durante todo esse tempo, inclusive para enfrentar sanções ilegítimas", concluiu.
- Em 29 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declara "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança do país norte-americano e da região. O documento acusa o governo cubano de se alinhar a "diversos países hostis", de abrigar "grupos terroristas transnacionais" como Hamas e Hezbollah e de permitir a implantação, na ilha, de "capacidades militares e de inteligência sofisticadas" da Rússia e da China.
- Posteriormente, o presidente americano reconheceu que sua administração mantém contatos com Havana e afirmou que chegará a um acordo com Cuba, embora tenha descrito o país caribenho como "uma nação em decadência" que "já não conta com a Venezuela" para se sustentar.
- Por sua vez, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou: "Essa nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de um grupo que sequestrou os interesses do povo americano para fins puramente pessoais".
- Enquanto isso, Moscou expressou sua "firme disposição de continuar prestando a Cuba o apoio político e material necessário". "Do lado russo, foi confirmada a posição de princípio sobre a inaceitabilidade de exercer pressão econômica e militar sobre Cuba, incluindo o bloqueio do fornecimento de energia à ilha, o que poderia provocar uma grave deterioração da situação econômica e humanitária no país", afirmou a chancelaria russa.
