Mais de 65 mil páginas dos arquivos Epstein são retiradas do ar

Departamento de Justiça remove mais de 47 mil arquivos após críticas sobre exposição de dados de sobreviventes; material segue em revisão e parte pode voltar ao ar.

O volume de arquivos do caso Epstein disponíveis ao público diminuiu após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ, na sigla em inglês) retirar dezenas de milhares de páginas que haviam sido divulgadas. Segundo cálculo publicado pela CBS News na terça-feira (3), o total de material acessível ainda pode sofrer alterações.

A redução ocorreu depois que vítimas e advogados criticaram a publicação de documentos que continham dados pessoais e fotografias de quase 100 sobreviventes. Após as críticas, o DOJ retirou mais de 47 mil arquivos, o equivalente a cerca de 65,5 mil páginas. Atualmente, ao tentar acessar esse material, os usuários encontram uma mensagem de erro indicando "página não encontrada".

Entre os documentos retirados, há casos considerados claramente sensíveis. Um dos arquivos, por exemplo, reunia fotografias sem qualquer edição de 21 sobreviventes, acompanhadas da maioria de suas datas de nascimento.

Outros arquivos, no entanto, também foram removidos sem uma justificativa evidente.

O Departamento de Justiça afirma que não "apagou" os documentos. Segundo o órgão, mais de 47 mil arquivos permanecem temporariamente fora do ar para uma revisão adicional. A promessa é de que o material seja recolocado gradualmente até o fim da semana, após a realização das redações necessárias.

De acordo com o vice-procurador-geral Todd Blanche, o DOJ analisou cerca de 6 milhões de páginas relacionadas ao caso. Isso indica que o material inicialmente divulgado representa menos da metade do acervo completo.

Parlamentares que tiveram acesso à versão integral dos documentos também criticaram o conteúdo publicado. Segundo eles, algumas redações feitas nos arquivos parecem proteger homens influentes mencionados no caso, em vez de preservar as vítimas.