
Ataques de Trump ao Irã aprofundam divisão nos EUA às vésperas de votação no Congresso

Recentes pesquisas de opinião pública nos EUA apontam desaprovação significativa da ofensiva militar contra o Irã ordenada pelo presidente Donald Trump, ampliando a polarização política no país e expondo divergências no Congresso.
Ao mesmo tempo, parlamentares questionam se o governo deveria ter buscado autorização prévia do Legislativo.

Batizada de "Operação Fúria Épica" ("Operation Epic Fury"), a ação foi lançada em parceria com Israel e justificada pela Casa Branca como necessária para "conter os programas nuclear e de mísseis balísticos" iranianos.
A ofensiva começou meses antes das eleições de meio de mandato.
Teerã classificou os ataques como injustificados e respondeu com mísseis e drones contra alvos em Israel e contra bases americanas no Oriente Médio.
Baixo apoio popular
Levantamentos divulgados nos primeiros dias do conflito mostram um apoio limitado à ação militar. Pesquisa da YouGov indicou 48% de desaprovação e 37% de aprovação.
Sondagem da CNN apontou que 59% dos americanos se opõem à ofensiva. Cerca de 60% afirmaram que o presidente não apresentou um plano claro, e 62% defenderam que novas ações militares dependam de autorização do Congresso.
Outra pesquisa, da Ipsos, indicou que 56% consideram que Trump demonstra disposição excessiva para usar força militar.
Parte dos entrevistados também afirmou que o apoio pode depender do número de baixas americanas. O Comando Central dos EUA confirmou a morte de seis militares desde o início da operação.
Congresso dividido
No Capitólio, republicanos e democratas saíram de reuniões reservadas com autoridades do governo com avaliações opostas sobre as justificativas para a guerra.
Os democratas afirmam que o governo não comprovou uma ameaça iminente que justificasse agir sem consultar o Congresso. O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, classificou as explicações recebidas como "insatisfatórias" e apontou mudanças nas versões apresentadas pela administração.
After classified briefing on Iran, US senator Ed Markey says 👇• Trump is waging an illegal war and he has no plan to end it.• Trump is lying about Iran nuclear capacity.• Trump is completely out of control. He is dragging America into another endless war. pic.twitter.com/HDAaejjg78
— Ranvijay Singh (@ranvijaylive) March 4, 2026
O senador Ed Markey também criticou a operação após participar de um briefing restrito. Segundo ele, Trump conduz "uma guerra ilegal" e não apresentou um plano claro para encerrá-la.
Republicanos, em sua maioria, apoiaram a decisão do presidente. O senador Lindsey Graham elogiou a estratégia, mas aliados do governo admitem que o respaldo pode diminuir caso o conflito se prolongue ou envolva tropas em solo iraniano.
O Senado e a Câmara devem votar resoluções baseadas na Lei dos Poderes de Guerra de 1973, que limita ações militares por mais de 60 dias sem autorização do Congresso. A expectativa é que as propostas sejam rejeitadas, diante da resistência republicana.
Justificativas em debate
As justificativas do governo para a ofensiva também passaram a ser questionadas. Autoridades citaram, em momentos diferentes, a necessidade de evitar retaliações iranianas após ações de Israel e a existência de uma ameaça iminente ligada ao avanço do arsenal de mísseis de Teerã.
Em carta enviada ao Congresso, Trump afirmou que ordenou os ataques para "proteger interesses nacionais" e neutralizar o Irã como ameaça global. Parlamentares críticos dizem que as explicações apresentadas publicamente diferem das informações repassadas em reuniões reservadas.
Impacto político
Diferentemente de conflitos anteriores, Trump não registrou aumento relevante de aprovação após o início das hostilidades. A média de pesquisas recentes situa sua popularidade entre 39% e 44%, com desaprovação acima de 50%.
O apoio permanece concentrado entre eleitores republicanos. Entre independentes, a resistência é maior.
Analistas avaliam que o conflito pode influenciar as primárias deste ano e afetar a estratégia eleitoral do Partido Republicano, que vinha defendendo o fim de intervenções militares prolongadas.
Trump minimizou as pesquisas e afirmou que a campanha continuará "até que os objetivos sejam alcançados". Segundo ele, impedir que o Irã desenvolva armas nucleares é uma prioridade estratégica.



