O chefe de governo da Espanha, Pedro Sánchez, dirigiu-se nesta quarta-feira (4) à nação para comentar a posição do país acerca do conflito no oriente Médio.
"A posição do Governo da Espanha resume-se em quatro palavras: 'No a la guerra' ", afirmou em um discurso que é interpretado como uma resposta às críticas que o presidente dos EUA, Donald Trump, dirigiu ontem ao país europeu.
Após uma análise da escalada militar, Sánchez afirmou que "ninguém sabe ao certo o que vai acontecer agora" e que nem mesmo "os objetivos daqueles que lançaram o primeiro ataque estão claros".
"Não à violação do direito internacional que protege a todos nós, especialmente os mais indefesos, a população civil", afirmou, acrescentando imediatamente a seguir: "Não à ideia de que o mundo só pode resolver os seus problemas com conflitos, bombas e, finalmente, não à repetição dos erros do passado".
Sánchez lembrou a guerra do Iraque, para a qual a Espanha foi "arrastada" por outro governo americano.
Ele observou que os objetivos alegados eram "eliminar armas de destruição em massa", levar a "democracia" e garantir a "segurança global".
"Produziu o efeito contrário, desencadeou a maior onda de insegurança que o nosso continente sofreu desde a queda do muro de Berlim", com um aumento drástico do terrorismo jihadista e uma grave crise migratória, relatou.
"Não se pode responder a uma ilegalidade com outra, porque é assim que começam os grandes desastres da humanidade".
Diante da perspectiva de aumento da incerteza econômica e da escalada dos preços do gás e do petróleo, o presidente espanhol disse que "a Espanha é contra esse desastre" e classificou como "inaceitável" que os líderes que não são capazes de melhorar a vida das pessoas "usem a fumaça da guerra para esconder seu fracasso e, de passagem, encher os bolsos de poucos, os de sempre".
"Não podemos brincar de roleta russa com o destino de milhões de pessoas", insistiu, reiterando o apelo às potências envolvidas no conflito para que "cessem imediatamente as hostilidades e apostem no diálogo".
"A questão não é se somos a favor ou contra os aiatolás", afirmou, respondendo que "ninguém é", disse, destacando que "a questão é se estamos ou não do lado da legalidade internacional e, portanto, da paz".
Sánchez criticou aqueles que praticam o "seguidismo cego e servil" e assinalou: "Não vamos ser cúmplices de algo que é mau para o mundo, que também é contrário aos nossos valores e interesses, simplesmente por medo das represálias de alguém", numa clara alusão a Trump.
"A Espanha apoia os princípios fundadores da União Europeia, apoia a Carta das Nações Unidas, apoia o Direito Internacional e apoia a paz e a coexistência pacífica entre os países", concluiu o chefe de Estado espanhol.
- O Governo da Espanha respondeu nesta terça-feira (3), por meio da imprensa local, à declaração incendiária feita horas antes pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante uma reunião na Casa Branca com o chanceler alemão, Friedrich Merz.
- Trump afirmou que os EUA poderiam "cortar todo o comércio com a Espanha" e que não quer "ter nada a ver" com a nação. Isso por que o país europeu não permitiu o uso de suas bases militares para sustentar a agressão contra o Irã.
- Fontes governamentais indicaram que a Espanha é "um parceiro comercial confiável para 195 países do mundo, entre eles os EUA", país com o qual mantém "uma relação comercial histórica e mutuamente benéfica".
- Diante dos atritos, o comitê Executivo de Pedro Sánchez avisou que, se a Administração Trump quiser revisar a relação comercial, "deverá fazê-lo respeitando a autonomia das empresas privadas, a legalidade internacional e os acordos bilaterais entre a União Europeia e os EUA".