Politico: Trump evita chamar agressão ao Irã de 'guerra' para driblar autorização do Congresso

O presidente norte-americano e membros do seu governo qualificam a operação 'Fúria Épica' como uma "ação decisiva" ou "campanha militar", entre outras denominações.

Washington evita qualificar seus ataques militares contra o Irã, que começaram no último sábado (28), como "guerra" em uma tentativa de esquivar-se da "necessidade de obter a autorização do Congresso", informa o Politico com fontes de um funcionário anônimo do Pentágono em reportagem publicada na terça-feira (3).

O meio de comunicação assinala que o presidente americano, Donald Trump, e os membros de sua administração qualificam a operação 'Fúria Épica' contra o país persa como uma "ação decisiva", como uma "operação massiva e contínua" ou como uma "campanha militar", entre outras denominações.

"Jogo de palavras"

A reportagem também indica que, embora Trump tenha usado a palavra "guerra" ao mencionar que o país pode sofrer baixas pelos contra-ataques iranianos, justificando que "isso acontece com frequência na guerra", em entrevistas e declarações posteriores, o presidente americano não voltou a usar este termo.

Em coletiva de imprensa na segunda-feira (2) sobre os ataques de seu país contra a República Islâmica, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que "a guerra é o inferno".

Contudo, o chefe da pasta logo assegurou que o que está acontecendo atualmente no Irã é o "oposto" das campanhas militares americanas no Iraque e no Afeganistão, já que a 'Fúria Épica' não é mais do que uma "operação" limitada a alvos definidos e "não é interminável".

Os "jogos de palavras" do governo Trump estão na mira do Partido Democrata e de alguns republicanos que, após o início da agressão, pediram uma votação sobre uma resolução de poderes de guerra para frear as operações militares dos EUA no Irã, as quais consideram uma guerra de fato iniciada sem autorização legislativa. Segundo a Constituição do país norte-americano, apenas o Congresso goza do direito de declarar uma guerra.

Espera-se que a Câmara dos Representantes e o Senado realizem as votações nos próximos dias.