Comandantes militares americanos estariam instruindo tropas a se prepararem para o "Armagedom" no Irã. Relatos colhidos pelo Huffington Post nesta terça-feira (3) indicam que oficiais apresentam o conflito como parte de um "plano divino" para o fim dos tempos.
Segundo o veículo, a organização Military Religious Freedom Foundation (MRFF) recebeu diversas queixas sobre o uso de retórica religiosa. Segundo a entidade, dedicada a lutar pela liberdade religiosa dentro das Forças Armadas americanas, oficiais associam a guerra ao retorno de figuras messiânicas e profecias cristãs.
Em uma das reclamações, um comandante afirmou que o presidente norte-americano, Donald Trump, teria sido "ungido por Jesus para acender o sinal de fogo no Irã para causar o Armagedom e marcar seu retorno à Terra". O discurso ocorreu durante reuniões com oficiais de uma unidade de combate.
Os militares que denunciaram os casos expressam preocupação com a mistura de objetivos militares e crenças religiosas. Eles relatam que líderes demonstram entusiasmo com a perspectiva de uma guerra de escala apocalíptica.
"Tudo se resume a tempo, lugar e modos", disse ao Huffington Post o fundador e presidente da MRFF, Mikey Weinstein. "Se você está sendo doutrinado por seu superior, não pode dizer: 'Saia da minha frente'. De acordo com o código penal militar, a insubordinação é considerada um crime grave", explicou.
A MRFF afirma que as instruções violam normas sobre a separação entre religião e Estado nas Forças Armadas. A organização continua coletando depoimentos de soldados que se sentem pressionados pelo teor dos discursos.
Até o momento, não houve posicionamento oficial das autoridades de defesa dos EUA sobre as denúncias de doutrinação religiosa.