
'Cortaremos todo o comércio com a Espanha', ameaça Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (3) que seu país poderia "cortar todo o comércio com a Espanha" e que não quer "ter nada a ver com a Espanha", ao questionar o nível de investimento espanhol em defesa dentro da OTAN.
O líder republicano sustentou que a Espanha "queria mantê-lo em 2% e não paga os 2%", em referência ao objetivo de gasto militar acordado pelos aliados, e assegurou que, diante dessa situação, Washington deveria interromper os vínculos comerciais com o país europeu.
Trump assegurou que a tensão com Madri se originou quando, segundo sua versão, os países europeus concordaram com o seu pedido de elevar o gasto em defesa para 5% do PIB, entre eles, a Alemanha, algo que a Espanha havia rejeitado, de acordo com o mandatário dos EUA. "Foram o único país da OTAN que não aceitou subir para cinco por cento. Queriam manter-se em dois por cento, e nem sequer pagam esses dois por cento", garantiu.

Além do questionamento sobre gasto em defesa, o presidente americano afirmou que a Espanha teria imposto limites ao uso de bases militares em seu território por parte dos Estados Unidos.
"Agora a Espanha disse que não podemos usar suas bases… nós poderíamos usá-las, podemos sobrevoá-las e usá-las. Ninguém vai nos dizer para não usá-las", declarou, embora tenha qualificado a postura espanhola como "pouco amistosa".
Nesse sentido, Trump questionou o presidente do país europeu, Pedro Sánchez, ao assinalar que, embora tenha "gente maravilhosa", "não têm uma boa liderança".
Reclamação recorrente
A disputa entre Washington e Madri remonta ao início do atual mandato de Trump. Em janeiro de 2025, durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, o presidente americano afirmou que o gasto em defesa dos aliados "deveria estar em 5%" do PIB e qualificou como "ridículo" o objetivo de 2% fixado pela OTAN.
Nesse mesmo dia, o chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, respondeu que a Espanha alcançará os 2% em 2029 e defendeu que o país aumentou seu investimento militar na última década, embora seguisse entre as porcentagens mais baixas da aliança.
A tensão voltou a escalar em outubro do mesmo ano, quando Trump afirmou que a Espanha "não tem sido leal à OTAN" por se negar a elevar o gasto para 5%, em uma reunião na Casa Branca com o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky. Naquela oportunidade, o ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel Albares, assegurou que o país é um "membro confiável" da organização e lembrou que mantém milhares de soldados mobilizados sob o comando da OTAN.
Mais recentemente, em janeiro deste ano, no Fórum Econômico Mundial de Davos, Trump insistiu que todos os países haviam aceitado o novo objetivo de 5%, "exceto a Espanha". No entorno do Executivo espanhol, argumentou-se que um aumento dessa magnitude implicaria em fortes cortes sociais, postura que Sánchez já havia deixado transparecer em intervenções públicas ao defender que o cumprimento dos compromissos de segurança pode ser alcançado sem atingir esse nível de gasto.

