Chancelaria russa: Cooperação com Venezuela será construída com base nas novas realidades

O diretor do Departamento da América Latina do Ministério das Relações Exteriores da Rússia comentou sobre sua visita à Caracas, sobre a atual situação no Oriente Médio, e respondeu a perguntas da RT.

O diretor do Departamento da América Latina do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Shchetinin, qualificou como "muito franca e aberta" sua conversa com o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, durante sua visita a Caracas.

"Tivemos uma conversa muito franca e aberta, como sempre acontece entre amigos, parceiros e colegas, sobre diferentes temas que são de interesse, de preocupação, de análise para nós, para nossas chancelarias e nossas respectivas autoridades. O importante é o que constatamos: nosso desejo mútuo de fortalecer as relações amistosas e de cooperação entre a Rússia e a Venezuela, isso é o mais importante", disse Shchetinin ao ser perguntado pela RT sobre sua conversa com Gil.

O diplomata indicou que a futura cooperação com Caracas "levará em conta as novas realidades que surgiram aqui na Venezuela" após a agressão dos EUA e o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em 3 de janeiro. "O que é muito importante é nosso desejo, é nossa aspiração, é nossa vontade de seguir em frente [...] e, com base nisso, começaremos a estabelecer já a cooperação entre nossos países nessas novas condições", afirmou.

Por sua vez, Gil declarou após o encontro com Shchetinin que seu objetivo foi revisar os progressos no fortalecimento da cooperação bilateral estratégica entre os países. "Também colocamos especial ênfase na fraternidade e a solidariedade que nos unem, no contexto da nossa busca conjunta por um mundo multipolar".

Situação no Oriente Médio

Shchetinin comentou a atual escalada de tensões no Oriente Médio: "Acredito que os países latino-americanos já sabem como se posicionar a esse respeito. A posição da Rússia é bastante clara: condenamos esse tipo de atividade, que se aproveita da situação já precária que sempre existiu em uma região tão singular quanto o Oriente Médio", afirmou.

Ele também enfatizou que as "ações militares não levam à solução de nenhum problema, mas sim criam muitos outros". "A comunidade internacional, o mundo, os países da região e além do Oriente Médio terão que avaliar os danos causados ​​e que continuam sendo causados ​​nestes últimos dias", acrescentou.

Nesse contexto, ele afirmou que o único caminho "possível, razoável e justo" nesta situação é "o caminho do diálogo, o caminho das soluções políticas, quaisquer que sejam as diferenças". "O mundo é multipolar. O mundo é muito multifacetado. Existem diferenças, existem abordagens diferentes. Mas isso não significa que tenhamos que resolver as diferenças por meio de ações como as que vemos agora no Oriente Médio", enfatizou.

Agressões dos EUA

Os EUA lançaram, no dia 3 de janeiro, uma agressão militar maciça em território venezuelano, que afetou Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Os locais atacados eram principalmente de interesse militar, embora também tenham sido atingidas áreas urbanas e houvesse vítimas civis.

A operação terminou com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que foram levados para Nova York, onde estão em um centro de detenção federal. Ambos se declaram inocentes das acusações de narcoterrorismo em uma audiência preliminar.

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, assumiu como presidente encarregada por decisão do Supremo Tribunal de Justiça, que interpretou a ausência de Maduro como temporária. Rodriguez, em uma entrevista concedida em fevereiro, declarou que Nicolás Maduro "é o presidente legítimo".

Caracas classificou as ações de Washington como uma "grave agressão militar" e alertou que o objetivo dos ataques "não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".

Muitos países do mundo, entre eles a Rússia e a Chinapediram a libertação de Maduro e sua esposa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino sem qualquer intervenção externa.