Os recentes bombardeios massivos realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã levantaram temores de uma crise global, tanto econômica quanto militar, com potencial para incendiar todo o Oriente Médio.
Nas primeiras horas de 28 de fevereiro, uma onda de ataques aéreos devastou alvos iranianos, resultando na morte do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, doministro da Defesa e do chefe da Guarda Revolucionária. Um míssil atingiu até uma escola primária para meninas, na cidade de Minab, deixando mais de 150 crianças mortas.
Motivos do ataque
Segundo o presidente norte-americano Donald Trump, a operação Fúria Épica teve como objetivo "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano" e impedir o país de produzir armas nucleares. O anúncio foi feito poucas horas após o fracasso de uma nova rodada de negociações nucleares na Suíça.
Já Israel, sob a liderança de Benjamin Netanyahu, há anos considera o Irã seu maior inimigo estratégico. Após debilitar o Hamas em Gaza e o Hezbollah no Líbano, Tel Aviv deslocou agora o foco diretamente para Teerã, buscando destruir sua infraestrutura militar.
O Irã possui armas nucleares?
Apesar das acusações de Washington e Tel Aviv, não há evidências de que o Irã possua armas nucleares. Relatórios da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) indicam que Teerã enriquece urânio a níveis próximos ao grau militar (até 60%), mas o governo iraniano insiste que o programa é exclusivamente civil, voltado para geração de energia. Autoridades iranianas classificam as denúncias como "politicamente motivadas" e sem fundamento.
Ataque sem aprovação do Congresso
Os bombardeios ocorreram sem autorização formal do Congresso dos EUA, o que reacendeu o debate sobre os limites do poder presidencial em decisões de guerra. Lideranças democratas e republicanas — conhecidas como o "Grupo dos Oito" — confirmaram que foram alertadas apenas minutos antes dos ataques. A Constituição americana é clara ao atribuir ao Congresso, e não ao presidente, a prerrogativa de declarar guerra.
Reações internacionais
Moscou reagiu com firmeza. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, condenou o que chamou de "ataque armado não provocado" por parte dos EUA e de Israel, pedindo cessar-fogo imediato e retorno às vias diplomáticas. Ele acrescentou que a Rússia está disposta a atuar no Conselho de Segurança da ONU para promover uma solução baseada no direito internacional e no equilíbrio de interesses.
Posição do BRICS
O grupo BRICS — que inclui Rússia e Irã, além de Brasil, China, Índia, Emirados Árabes Unidos e outros— também manifestou preocupação. Os membros reiteraram que a ofensiva constitui "uma clara violação do direito internacional" e defenderam a criação de um Estado palestino como parte de uma paz duradoura na região.
Risco no Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz, entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, é uma das rotas mais importantes do planeta: cerca de 25% do petróleo transportado por mar passa por ali. Após os ataques, embarcações reportaram mensagens de rádio da Guarda Revolucionária advertindo que "nenhum navio tem permissão para atravessar o estreito".
"Está fechado. Quem quiser atravessar, nossos combatentes dedicados na Marinha do Sepah e do Exército incendiarão esses navios. Não venham para esta região", declarou o conselheiro do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, Brigadeiro-General Sardar Ebrahim Jabbar, nesta segunda-feira (2).
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O bloqueio no Estreito de Ormuz pode provocar um salto histórico nos preços do petróleo e desestabilizar a economia global — um cenário cuja magnitude faria lembrar as crises energéticas do século XX, mas com implicações potencialmente muito mais graves.