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Comparação com guerra do Iraque acende alerta sobre ofensiva dos EUA contra o Irã

Especialista afirma que ofensiva pode fortalecer adversários e ampliar instabilidade global. Segundo ele, interesses geopolíticos e econômicos impulsionam ação militar.
Comparação com guerra do Iraque acende alerta sobre ofensiva dos EUA contra o IrãGettyimages.ru / Tasos Katopodis / Stringer

Comparando a campanha norte-americana contra o Irã, chamada "Operação Fúria Épica", com a ofensiva contra o Iraque em 2003, denominada "Operação Liberdade do Iraque", o editor-chefe da revista Rússia na Política Global e presidente do Conselho de Política Externa e de Defesa, Fyodor Lukianenko, analisou as razões de ambas e fez previsões. Segundo ele, "a região entra em uma nova fase de turbulência, que terá repercussões em toda a área e não promete nada de bom para ninguém".

Pretextos das operações 

Lukianenko destaca que, em 2003, apesar do rápido sucesso dos Estados Unidos na derrubada do regime de Saddam Hussein, a guerra provocou mudanças — mas não aquelas esperadas por seus iniciadores —, gerando uma série de problemas e minando a reputação americana no mundo.

O especialista salientou que o aumento da influência iraniana, até se tornar um dos principais rivais de Israel e dos EUA na região, é uma das consequências da campanha de 2003. Ele classificou o país persa como "o adversário mais sério de todos aqueles com quem os EUA entraram em confronto direto ao longo de muitas décadas".

Os interesses dos EUA e de Israel não coincidem totalmente, mas juntos servem para justificar a operação atual. Enquanto Israel busca preservar uma situação regional favorável e estabelecer um regime leal, o interesse de elites econômicas americanas seria tornar-se um "despachante de distribuição de benefícios comerciais", colocando projetos energéticos russos, chineses e indianos sob dependência dos EUA.

Segundo ele, a ação também serviria para reforçar o controle sobre mercados-chave e demonstrar o caráter declarativo e ineficiente de grupos dos quais os Estados Unidos não participam, como o BRICS e a Organização para Cooperação de Xangai (OCX).

'Consequências prometem desapontar expectativas'

Iniciada sob slogans de democracia e segurança, a operação de 2003 no Iraque não alcançou os resultados desejados e terminou em "incapacidade de obter os dividendos esperados devido à confusão prolongada que se instalou". Agora,  o especialista afirma, a motivação seria mais prática e material, mas pode produzir o efeito oposto: "despertar justamente forças ideológicas hostis, que se levantarão contra a imposição externa".

Com a operação iniciada sem aprovação do Congresso, sem amplo apoio popular e com riscos para soldados americanos, o presidente Donald Trump precisaria de um "triunfo".

"Se tiver sorte, a Casa Branca decidirá que está segurando Deus pela barba e se tornará ainda mais agressiva, tanto interna quanto externamente. Se não, a agressividade ainda poderá aumentar para compensar problemas inevitáveis. Em qualquer cenário, a região entra em uma nova fase de turbulências, com amplas repercussões nas áreas vizinhas — e isso não promete nada de bom para ninguém", concluiu Lukianenko.