O Centro de Inovação e Tecnologia para Ímãs de Terras Raras (CIT Senai ITR), laboratório localizado em Lagoa Santa (MG), testou com sucesso a produção de ímãs de alta potência usando carbonato de terras raras extraído no Brasil. A informação foi divulgada pelo g1 no domingo (1º).
O material é fundamental para fabricação carros elétricos, turbinas eólicas e eletônicos.
O carbonato utilizado nos testes veio da argila iônica do Planalto Vulcânico de Poços de Caldas (MG). De acordo com a mineradora Meteoric, cada 600 quilos de argila produzem cerca de 2 quilos de carbonato, concentrando até 98% de terras raras, índice superior ao de muitas minas internacionais.
"A gente pega uma argila que tem 0,4% de terras raras e transforma num carbonato que é 98% de terras raras. A qualidade do carbonato que nós estamos gerando mostra que o Planalto de Poços de Caldas é um dos melhores depósitos do mundo. A gente está atingindo recuperações que vão até 78%, 79%. A maioria das minas no mundo tem uma recuperação de 50%" explicou o diretor executivo da Meteoric, Marcelo Carvalho.
Cadeia produtiva nacional
O CIT Senai ITR integra o projeto MagBras, aliança entre empresas, universidades e centros de pesquisa que busca criar uma cadeia completa de produção de terras raras no país, da matéria-prima ao ímã final. A iniciativa visa reduzir a dependência de importações e fortalecer a tecnologia nacional.
O material fornecido pela Meteoric faz parte de um acordo de parceria de cinco anos, assinado em 2024, para testes em escala piloto.
O centro planeja transformar o carbonato em óxidos puros, metais, ligas e, finalmente, ímãs de neodímio-ferro-boro (NdFeB), amplamente usados em motores elétricos e turbinas.
Mesmo com o avanço nacional, o CIT Senai ITR mantém experimentos com insumos importados da China, garantindo comparabilidade técnica e continuidade das pesquisas enquanto a produção local ainda se consolida.
Futuro
O próximo desafio da Meteoric é separar os minerais de terras raras presentes no carbonato, etapa necessária para expandir a cadeia produtiva nacional e viabilizar a fabricação industrial de ímãs.
Com os testes concluídos, o Brasil dará um passo concreto para estabelecer autonomia tecnológica na produção de componentes estratégicos, fortalecendo a indústria nacional e ampliando sua participação no mercado global de terras raras.