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EUA usaram IA da Anthropic contra o Irã apesar de ordem de Trump

O país norte-americano utilizou a ferramenta em análises de inteligência, definição de alvos e simulação de cenários de combate, segundo relatos de fontes internas com conhecimento das operações.
EUA usaram IA da Anthropic contra o Irã apesar de ordem de TrumpAP / Patrick Sison

Os Estados Unidos recorreram ao Claude, sistema de inteligência artificial desenvolvido pela empresa Anthropic, durante a ofensiva militar conduzida em conjunto com Israel contra o Irã, apesar da ordem recente do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para interromper o uso da ferramenta. A informação foi divulgada neste domingo (1º) pelo The Wall Street Journal e complementada pelo Axios, que citaram fontes internas.

De acordo com os relatos, comandos militares em diferentes regiões, incluindo o Comando Central dos EUA (USCENTCOM), responsável pelas operações no Oriente Médio, utilizam o Claude. Segundo as mesmas informações, Washington emprega a ferramenta em análises de inteligência, na identificação de alvos e na simulação de cenários de combate.

Empresa "radical de esquerda e 'woke'"

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia  determinada em 27 de fevereiro que todas as agências federais interrompessem de imediato o uso da tecnologia desenvolvida pela Anthropic. Ao justificar a medida, afirmou que se trata de uma empresa "radical de esquerda e 'woke'".

Trump declarou que a Anthropic "cometeu um erro desastroso ao tentar pressionar o Departamento de Guerra e obrigá-lo a obedecer aos seus termos de serviço" em vez da Constituição do país, o que, segundo ele, coloca em risco a vida dos norte-americanos, das tropas e a segurança nacional.

Diante disso, ordenou que todos os órgãos do governo cessassem "imediatamente" qualquer utilização das ferramentas da companhia. O presidente acrescentou que haveria um período de transição de seis meses para entidades como o Departamento de Guerra, que "utilizam os produtos dessa empresa em vários níveis".

"Não precisamos deles, não os queremos e não faremos mais negócios com eles [...] É melhor que a Anthropic se apresse e colabore durante esse período de transição, ou usarei todo o poder da Presidência para obrigá-los a cumprir, com as importantes consequências civis e criminais que isso acarretaria", advertiu.

  • O Pentágono e a Anthropic travam um impasse em torno dos limites que a empresa pretende estabelecer para o uso do modelo de inteligência artificial Claude pelo órgão governamental.

  • A companhia rejeitou as exigências do Departamento de Defesa para que o sistema estivesse disponível para "qualquer uso legal", pudesse ter suas salvaguardas desativadas e fosse empregado em vigilância em massa e no desenvolvimento de armas autônomas.

  • Diante da recusa, o Departamento de Defesa ameaçou cancelar o contrato de US$ 200 milhões, o equivalente a cerca de R$ 1,03 bilhão, e classificar a empresa como um "risco para a cadeia de suprimentos" caso as condições não fossem atendidas até 27 de fevereiro.

  • Um dia antes, em 26 de fevereiro, a Anthropic informou que "praticamente não houve avanços" nas negociações com o governo e declarou que "não pode atender" às exigências apresentadas.