
Bolsonaro escreve carta a Michelle com pedidos de união na direita

Preso no Complexo Penitenciário da Papuda e condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro divulgou neste domingo (1º) uma carta manuscrita em defesa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, segundo informações publicadas pelo jornal O Globo.

O texto, publicizado pela assessoria de Michelle, registra seu pedido à esposa para que só se envolva nas articulações políticas após março de 2026, justificando que ela estaria "ocupada no atendimento da nossa filha Laura, recém-operada, bem como nos cuidados à minha pessoa".
O campo conservador brasileiro atravessa tensões entre figuras políticas na alvorada do processo eleitoral de 2026. A carta representa uma resposta às críticas públicas que Michelle tem recebido de aliados, incluindo do próprio filho Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal.

Jair lamenta "críticas da própria direita dirigidas a alguns colegas e à esposa" e defende que "numa campanha majoritária, bem como as cobiçadas vagas para o Senado, os apoios devem vir pelo diálogo e convencimento, nunca por pressões ou ataques entre aliados".
Rachas no bolsonarismo
A ex-primeira-dama vem sendo criticada por não manifestar apoio explícito à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido por Jair Bolsonaro como seu candidato ao Planalto.
Em entrevista ao SBT News no domingo passado (22), Eduardo declarou que "pessoas que foram eleitas ou estão debaixo do guarda-chuva de Jair Bolsonaro se dizem seguidoras das suas ordens e determinações, deveriam ter se dedicado com mais afinco à campanha do Flávio".
Michelle foi definida junto à deputada federal Bia Kicis como candidatas ao Senado pelo Distrito Federal em uma "chapa pura" do PL, anunciada na última terça-feira (24). O governador Ibaneis Rocha (MDB), aliado da família Bolsonaro, esperava o apoio do ex-presidente para sua própria candidatura ao Senado.
A esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro tem sido apontada por analistas como uma liderança consolidada entre eleitores evangélicos e o público feminino, sendo cogitada em diversos cenários eleitorais, embora o apoio à sua candidatura dentro do próprio partido seja um ponto de disputa.

