O Ministério das Relações Exteriores da Rússia condenou neste sábado (28) os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, afirmando em um comunicado à imprensa que "este é um ato planejado e não provocado de agressão armada".
"A escala e a natureza dos preparativos militares, políticos e de propaganda que precederam esta medida imprudente— incluindo o destacamento de um contingente significativo de forças americanas para a região — não deixam dúvidas de que se trata de um ato planejado e não provocado de agressão armada contra um Estado soberano e independente, membro da ONU, em violação dos princípios e normas fundamentais do direito internacional", afirma o comunicado.
Segundo o ministério russo, é repreensível que esses ataques estejam sendo realizados novamente sob o pretexto de um processo de negociação retomado, supostamente com o objetivo de garantir uma normalização duradoura da situação em torno da República Islâmica, e contradiz os sinais enviados à Rússia sobre a falta de interesse de Israel em um confronto militar com o Irã.
A chancelaria observou que "a comunidade internacional, incluindo a liderança da ONU e da AIEA, tem a obrigação de fornecer imediatamente uma avaliação objetiva e contundente dessas ações irresponsáveis que visam destruir a paz, a estabilidade e a segurança no Oriente Médio".
O ministério denunciou que "Washington e Tel Aviv embarcaram mais uma vez em uma aventura perigosa que está rapidamente aproximando a região de uma catástrofe humanitária, econômica e, muito possivelmente, radiológica". "As intenções dos agressores são claras e foram declaradas abertamente: destruir a ordem constitucional e eliminar a liderança de um Estado indesejável que se recusou a submeter-se aos ditames da força e da hegemonia", afirmou.
"A responsabilidade pelas consequências negativas desta crise, incluindo uma reação em cadeia imprevisível e uma espiral de violência, recai inteiramente sobre eles[EUA e Israel]", diz o texto.
O Ministério das Relações Exteriores condenou ainda o facto de "as graves consequências destas medidas imprudentes para o regime global de não proliferação, cuja pedra angular é o Tratado de Não Proliferação Nuclear, estarem a ser abertamente ignoradas".
"Entretanto, a dupla EUA-Israel esconde-se atrás de uma suposta preocupação em impedir que os iranianos adquiram armas nucleares. Bombardear instalações nucleares sob as salvaguardas da AIEA é inaceitável", advertiu a Rússia.
"Na realidade, os motivos de Washington e Tel Aviv nada têm a ver com o regime de não proliferação. Eles não podem deixar de perceber que, ao mergulharem o Médio Oriente no abismo da escalada descontrolada, estão, na verdade, encorajando países de todo o mundo, especialmente na região, a adquirirem capacidades cada vez mais sofisticadas contra ameaças emergentes", enfatizou.
Moscou declarou que a preocupação específica decorre da "natureza recorrente dos ataques desestabilizadores lançados pelo governo dos EUA nos últimos meses contra os pilares do direito internacional da ordem mundial, como a não interferência em assuntos internos, a renúncia à ameaça ou ao uso da força e a solução pacífica de controvérsias internacionais".
"Exigimos um retorno imediato ao caminho das soluções políticas e diplomáticas. A Rússia, como sempre, está pronta para facilitar a busca por soluções pacíficas baseadas no direito internacional, no respeito mútuo e no equilíbrio de interesses", concluiu.