
Chefe de Estado-Maior revela detalhes da infiltração fracassada de lancha dos EUA em águas cubanas

O chefe do Estado-Maior da Direção das Tropas de Guarda de Fronteira de Cuba, coronel Ybey Carballo Pérez, revelou nesta sexta-feira novos detalhes sobre a investigação da infiltração armada de uma lancha rápida norte-americana em águas cubanas.
No programa de televisão "Razones de Cuba", Carballo afirmou que, de acordo com as investigações preliminares, duas embarcações partiram das proximidades de Cayo Marathon, no estado da Flórida, com destino à ilha. Os relatórios revelam que uma das lanchas teria sofrido uma avaria no motor.
Além disso, ele garantiu que foram identificados os supostos autores do crime, entre os quais se encontra Maritza Lugo Fernández, líder principal do movimento 30 de Novembro, que teria fornecido recursos para ações ilegais na ilha.

Carballo Pérez detalhou que as Tropas cubanas agiram de maneira "moderada, defensiva, racional e proporcional" e interceptaram a embarcação em um ponto preciso: uma milha náutica ao norte dos cayos de Villa Clara, em plenas águas territoriais cubanas.
O chefe do Estado-Maior da Direção das Tropas da Guarda de Fronteira indicou que a resposta cubana ao fato se ajustou estritamente às normas que se aplicam "diante de um objetivo infrator: primeiro se identifica, depois se persegue, se acompanha e se persuade".
Nesse sentido, ele indicou que o uso de armas constitui o último recurso. "Só se responde com armas de fogo quando somos atacados. É um modelo de ação racional e defensivo, que prioriza evitar o uso de armas, exceto em situações de agressão direta", explicou.
Carballo Pérez afirmou que o incidente ocorreu no dia 25, no município de Corralillo, em uma área do arquipélago exterior conhecida como Los Cayos de Falcones, especificamente no canal Los Pinos.
"Estamos falando de cerca de 10 milhas da faixa costeira, mas apenas a uma milha náutica da faixa externa. As águas territoriais cubanas compreendem 12 milhas náuticas. A embarcação violou o espaço das águas jurisdicionais cubanas", esclareceu.
Uma lancha de origem norte-americana, com cerca de 1,8 toneladas de peso e dez ocupantes, foi detectada pelos meios das Tropas de Guarda de Fronteira. Com isso, a interceptadora cubana 25 aproximou-se para identificá-la.
"Era uma embarcação suspeita", disse Caballo Pérez. A 185 metros, a lancha abriu fogo e feriu o capitão Yosmany Hernández Hernández, com impactos no abdômen e no antebraço. A tripulação cubana, composta por cinco combatentes, respondeu, abatendo três dos ocupantes e deixando sete feridos.
Após a neutralização da embarcação, os feridos foram evacuados e levados para hospitais. O armamento utilizado pelos militares cubanos consistiu em três fuzis AKM e uma metralhadora leve RPK.
Por sua vez, o coronel Víctor Álvarez Valle, segundo chefe do órgão especializado em crimes contra a Segurança do Estado, informou que, diante de fatos dessa natureza, foi formada uma equipe multidisciplinar para conduzir a investigação.
Segundo ele, até o momento, foi determinado que não foi uma, mas duas embarcações que partiram de Cayo Marathon, na Flórida. "Uma apresentou dificuldades técnicas durante a viagem e os ocupantes se transferiram para a outra, razão pela qual chegaram, finalmente, em um único barco", disse ele.
A perícia técnica encontrou 13 impactos de bala na embarcação cubana, localizados a estibordo, no casco e nas amuradas. Enquanto isso, a lancha americana, equipada com motor fora de borda e GPS e equipamentos de radionavegação, recebeu 21 tiros. O tiroteio ocorreu a cerca de 20 metros, o que evidencia a proximidade e a intensidade do confronto.
"Trata-se de uma embarcação de nove metros de comprimento. Apenas foram utilizadas armas regulamentares. Não houve lançamento de foguetes nem outro tipo de armas, como se especulou", enfatizou.
No barco foram confiscados fuzis de vários calibres, entre eles do tipo DB AR-15, uma espingarda Winchester, 11 pistolas e módulos individuais com armas, facas, uniformes, balaclavas e equipamentos de comunicação, além de um drone e 12.846 munições. Foram encontrados emblemas identificativos, como o do grupo contrarrevolucionário Movimento 30 de Novembro, e distintivos de "autodefesa do povo". Entre os envolvidos está Amijail Sánchez González, apontado como organizador, incluído na lista nacional de pessoas ligadas a atividades terroristas.
Víctor Álvarez Valle reiterou que o objetivo do grupo era se infiltrar no país, promover desordem pública, executar atos violentos e atacar unidades militares. "O armamento apreendido é armamento de combate. Não se trata de uma falácia", sustentou.
De acordo com o procurador-geral da República, Edward Robert Campbell, os detidos, alguns já listados por terrorismo, enfrentam acusações de agressão armada, entrada ilegal e crimes terroristas, com penas que variam de 10 a 15 anos até 30 anos ou a pena de morte nos casos mais graves.
O coronel Dr. Juan Antonio Ramírez, chefe dos Serviços Médicos do Ministério do Interior, informou que o capitão Yosmany Hernández Hernández está evoluindo favoravelmente e encontra-se fora de perigo.
Fotos de armas apreendidas
No mesmo dia, a imprensa local publicou uma série de armas apreendidas pelas autoridades norte-americanas na lancha rápda. Entre elas, estão fuzis de diferentes calibres, uma espingarda Winchester, pistolas, facas e munições, além de um drone. Também há uniformes de camuflagem, balaclavas, meios de comunicação, equipamentos de visão e materiais esterilizados.
A embarcação aproximou-se a uma milha náutica a nordeste do canal El Pino, em Cayo Falcones, município de Corralillo, província de Villa Clara, e abriu fogo contra membros das Tropas de Guarda de Fronteira do Ministério do Interior cubano, deixando um comandante ferido. Isso desencadeou um confronto, no qual quatro agressores foram mortos e outros seis ficaram feridos.


