Senado da Argentina aprova reforma trabalhista de Milei

Proposta segue para sanção presidencial com pontos polêmicos, entre eles a flexibilização da jornada de trabalho para até 12 horas sem pagamento de horas extras.

O Senado da Nação Argentina aprovou, na noite desta sexta-feira (27), a reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei. A medida contou com 42 votos a favor, 28 contrários e duas abstenções, em sessão que se estendeu por horas sob forte tensão.

O texto, que consolida uma das principais bandeiras do atual governo, segue agora para sanção presidencial. A lei havia sido aprovada com modificações na Câmara dos Deputados na última sexta-feira (20).

A proposta conta com pontos polêmicos, entre eles a flexibilização da jornada de trabalho para até 12 horas sem pagamento de horas extras, além da restrições a greves em setores essenciais.

O governo Milei considera a iniciativa como uma modernização das leis trabalhistas do país, defendendo sua necessidade para criar um ambiente favorável a investimentos privados. 

"Odiar o empresário, lutar contra o capital, tudo isso gerou uma realidade em que o trabalhador foi cada vez mais abandonado", afirmou a senadora governista Patricia Bullrich.

Críticos, entretanto, alertam para a redução de direitos históricos, chamando atenção para o enfraquecimento da negociação coletiva. "Dizem que esta lei é a favor do trabalhador. Que parem de mentir, esta lei prejudica terrivelmente o trabalhador!", denunciou o kirchnerista José Mayans.

Protestos contra a medida marcaram o dia, com manifestantes se reunindo na manhã desta sexta-feira (27) no centro da capital Buenos Aires e se dirigindo ao Congresso. Participaram políticos, representantes de sindicatos, organizações sociais, partidos de oposição e agrupações estudantis. A polícia local reprimiu os manifestantes utilizando gás de pimenta e balas de borracha, segundo relatou a imprensa local.