O governo dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira (27) um bloqueio total à empresa de inteligência artificial Anthropic. O presidente Donald Trump e o secretário de Guerra, Pete Hegseth, ordenaram que todas as agências federais interrompam o uso da tecnologia da companhia, classificando-a como uma organização "radical de esquerda e woke".
Através de sua conta na rede Truth Social, Trump afirmou que não permitirá que a "ideologia" da empresa interfira nas decisões militares do país.
"Os Estados Unidos nunca permitirão que uma empresa radical de esquerda e woke dite como nosso grande Exército luta e vence as guerras! Essa decisão cabe ao seu comandante-em-chefe", declarou o mandatário.
O presidente acusou a Anthropic de cometer um "erro desastroso" ao tentar impor seus termos de serviço ao Departamento de Guerra acima da Constituição, colocando em risco a segurança nacional e a vida das tropas.
Trump estabeleceu um período de transição de seis meses para que as entidades federais substituam os produtos da empresa, alertando que poderá usar "todo o poder da presidência" para garantir o cumprimento da ordem, sob pena de consequências civis e criminais.
Posicionamento do Pentágono
Em sintonia com a diretriz presidencial, o secretário de Guerra, Pete Hegseth, designou oficialmente a Anthropic como um "risco para a cadeia de suprimentos da segurança nacional". Em publicação no X, Hegseth foi enfático ao criticar a postura da empresa.
"Esta semana, a Anthropic deu uma lição magistral de arrogância e traição, além de oferecer um exemplo paradigmático de como não se deve fazer negócios com o governo dos EUA ou com o Pentágono", escreveu o funcionário em sua conta no X.
Nesse sentido, ele explicou que a postura de sua pasta nunca mudará. "O Departamento de Guerra deve ter acesso total e irrestrito aos modelos da Anthropic para qualquer propósito legítimo de defesa". No entanto, a empresa "optou pela duplicidade". "Amparados pela retórica hipócrita do 'altruísmo eficaz', tentaram dobrar o Exército dos Estados Unidos", complementou Trump.
"Ordeno ao Departamento de Guerra que designe a Anthropic como um risco para a cadeia de suprimentos da segurança nacional. Com efeito imediato, nenhum contratado, fornecedor ou parceiro que faça negócios com o Exército dos EUA poderá realizar qualquer atividade comercial com a Anthropic", afirmou o secretário, em consonância com a diretriz anunciada anteriormente por Trump de interromper o uso da tecnologia da companhia.
Assim como a ordem presidencial, o Pentágono manterá os serviços da empresa por no máximo seis meses para garantir uma "transição fluida para um serviço melhor e mais patriótico". Hegseth concluiu afirmando que os termos de serviço da Anthropic nunca prevalecerão sobre a prontidão e a vida dos soldados americanos.
- Neste caminho, Trump incentivou todas as agências federais do governo a interromperem imediatamente o uso da tecnologia da Anthropic, garantindo que se trata de uma empresa "radical de esquerda e 'woke'".
- O Pentágono e a Anthropic estão imersos em uma disputa sobre os limites que a empresa deseja impor ao uso que a entidade governamental faz de seu modelo de inteligência artificial, Claude.
- A Anthropic rejeitou as exigências do Pentágono de que o modelo esteja disponível para "qualquer uso legal", possa desativar as medidas de segurança e permita que seja utilizado para vigilância em massa e desenvolvimento de armas autônomas.
- O Departamento de Defesa ameaçou cancelar seu contrato de US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão) com a empresa e considerá-la um "risco para a cadeia de suprimentos", caso a companhia não cumprisse a solicitação antes de sexta-feira.
- Na quinta-feira (26), a Anthropic declarou que "praticamente não houve avanços" nas negociações com o governo e que "não pode cumprir" suas exigências.