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Mais de um ano após proibição, alunos e professores relatam efeitos do uso restrito de celulares

Profissionais da área apontam para um aumento da concentração e melhora na interação entre estudantes após retirada dos aparelhos das salas de aula. Em entrevista à RT, especialista classificou o resultado como "muito favorável".

Mais de um ano após a entrada em vigor da lei que proíbe o uso de celulares em escolas públicas e privadas, a medida começa a ser avaliada quanto aos seus impactos no ambiente escolar. Inicialmente alvo de polêmica, a norma apresenta dados preliminares que apontam mudanças no comportamento dos estudantes, com reflexos positivos na concentração e no desempenho acadêmico.

Uma pesquisa nacional aponta que mais de 80% dos alunos afirmam que se concentram mais sem o celular, com um impacto maior registrado entre as crianças, mas menor entre os adolescentes.

Em uma escola pública do estado de São Paulo, a direção afirma que a transformação também se reflete nos resultados escolares tanto no quinto ano do ensino fundamental quanto no último do ensino médio.

Implementação exigiu diálogo

A adaptação à nova regra não foi imediata e exigiu diálogo com estudantes e famílias. Segundo a direção da escola, o processo foi desafiador.

Especialistas em psicologia social afirmam que os resultados contrariam temores iniciais sobre possíveis efeitos negativos da medida.

"É um resultado muito favorável para educadores, para a sociedade, para a paz", avaliou Maria Palmira da Silva, doutora em psicologia social, em entrevista à RT.

Desde a pandemia, o uso do celular se intensificou nas escolas, e a tela passou a fazer parte do cotidiano escolar. Para alguns estudantes, a mudança foi difícil no início.

"Na adaptação foi bem difícil, mas me ajudou bastante, porque eu era um aluno que tirava só 5, 6 e 7. Eu não me importava muito com a escola", relatou Guilerme, estudante de 16 anos.