Afeganistão afirma ter alcançado objetivos em plena escalada com Paquistão

Cabul garante que não apoia a violência e que privilegia a resolução dos problemas através do entendimento e do respeito mútuo.

O ministro das Relações Exteriores do Afeganistão, Amir Khan Muttaqi, anunciou nesta sexta-feira (27) que manteve uma conversa telefônica com o chanceler do Catar, Mohammed bin Abdulaziz Al-Khulaifi, para discutir questões regionais, em meio à escalada com o Paquistão.

Durante a ligação, o ministro das Relações Exteriores destacou que "as recentes ações das forças de segurança e defesa" do país foram realizadas para salvaguardar a soberania, o espaço aéreo e a integridade territorial do Afeganistão, e especificou que estes objetivos "foram alcançados com sucesso".

Ao mesmo tempo, ele ressaltou que Cabul não apoia a violência e sempre preferiu resolver os problemas por meio do entendimento e do respeito mútuo, embora tenha destacado que essa abordagem só é eficaz se a outra parte demonstrar uma vontade prática e sincera de chegar a uma solução.

Por sua vez, Mohammed bin Abdulaziz Al-Khulaifi destacou que o Catar busca uma redução das tensões e que seu país está disposto a desempenhar um "papel positivo" quando surgir a oportunidade. Além disso, ele ressaltou a necessidade de uma resolução profunda dos problemas e indicou que estão sendo coordenados esforços com os países relevantes para alcançar esse objetivo.

Nova onda de tensões

A Força Aérea do Paquistão atacou durante a madrugada de sexta-feira (27) a capital afegã, Cabul, bem como Kandahar e a província de Paktia, depois que o Afeganistão lançou nesta quinta-feira (26) operações transfronteiriças contra instalações militares paquistanesas.

Essas ações ocorreram depois que Islamabad atacou o território afegão no último sábado (21), em resposta a recentes atentados suicidas e outras ações ocorridas em território paquistanês, cuja responsabilidade foi reivindicada pelo movimento talibã paquistanês e pelo Estado Islâmico* da Província de Coraçone.

*Reconhecido como grupo terrorista na Rússia e proibido em seu território.