ONU faz alerta de 'guerra total' no Sudão do Sul

Violência sexual, sequestro e recrutamento forçado de meninos, considerados crimes de guerra e crimes contra a humanidade, já também foram registrados no país.

Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos denunciou violações sistemáticas do Acordo de Paz Revitalizado de 2018, expondo civis ao risco de novos conflitos, graves violações aos direitos humanos e ao direito internacional. A declaração foi feita em comunicado divulgado nesta sexta-feira (27), com base em uma investigação concluída em 2025.

O órgão pediu um cessar-fogo, a restauração do acordo e o cumprimento das obrigações internacionais. O relatório atribui ataques contra civis — como assassinatos ilegais e bombardeios indiscriminados de casas e instalações de saúde — às forças governamentais, apesar da afirmação do presidente de que o Sudão do Sul "não voltará à guerra".

Violência sexual, sequestro e recrutamento forçado de meninos, considerados crimes de guerra e crimes contra a humanidade, também foram registrados. Há relatos de ataques contra grupos étnicos, especialmente os Nuer e os habitantes de Jonglei, bombardeios em áreas consideradas "hostis" — descritas como residências, hospitais e redutos da oposição — e perseguição a opositores, com a prisão de oito líderes, incluindo o primeiro vice-presidente, em maio de 2025. O governo, no entanto, afirma que pretende realizar eleições nacionais em dezembro de 2026.

"Processos eleitorais confiáveis ​​são irrealistas em um contexto onde o espaço cívico é reprimido, o conflito se intensifica, mais de três milhões de pessoas estão deslocadas internamente e importantes líderes da oposição são detidos arbitrariamente durante um julgamento politizado", declarou a presidente da Comissão Eleitoral, Yasmin Sooka.

O comunicado também apontou para a corrupção generalizada e o desvio de recursos para as elites, comprometendo a capacidade do Estado atender as necessidades básicas da população e garantir os direitos humanos.