
Comissão Europeia implementará acordo UE-Mercosul em caráter provisório

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou nesta sexta-feira (27) que o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul será aplicado provisoriamente, após a Argentina e o Uruguai terem ratificado o pacto em seus respectivos parlamentos na quinta-feira (26).
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"Eu já disse que quando eles estiverem prontos, nós estaremos prontos", enfatizou a líder europeia, relatando que, nas últimas semanas, discutiu o assunto "intensamente" com os Estados-membros da UE e com os membros do Parlamento Europeu.
O tratado foi assinado por representantes da UE e dos quatro Estados-membros do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) em 17 de janeiro. Entretanto, von der Leyen observa que a vigência é provisória e que o acordo só poderá ser totalmente concluído após a aprovação do Parlamento Europeu.
A proposta foi suspensa em 21 de janeiro, depois que o Parlamento Europeu a encaminhou ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) para que este analisasse sua compatibilidade com os tratados do bloco.
In January, the European Council empowered the Commission to provisionally apply the Agreementas from the first ratification by a Mercosur country.Over the last weeks, I have discussed this intensively with Member States and the EP.On that basis, the Commission will now… pic.twitter.com/1gs5XMkPkZ
— Ursula von der Leyen (@vonderleyen) February 27, 2026
O anúncio surge em um momento de renovada incerteza econômica global, após o anúncio de novas tarifas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, depois que a Suprema Corte dos EUA derrubou suas tarifas anteriores de importação. A medida do presidente americano gerou reações da União Europeia, que decidiu pausar a ratificação de um acordo comercial bilateral com Washington até receber esclarecimentos sobre o cumprimento dos compromissos assumidos.
Ratificação
A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou o tratado na quarta-feira (25), com a votação passando agora para o Senado. O Paraguai, por sua vez, ainda não realizou os debates sobre o acordo, que foi enviado ao Legislativo em 29 de janeiro pelo presidente Santiago Peña.
Os setores agrícolas europeus têm sido o principal ponto de resistência, com protestos realizados na França, Espanha, Irlanda, Grécia, Polônia, Bélgica e Itália, onde agricultores alegam que o mercado europeu poderia ser inundado por produtos mais baratos fabricados com padrões menos exigentes.
Respondendo à pressão dos agricultores, o Parlamento Europeu aprovou em 10 de fevereiro de 2026 um regulamento de cláusulas de salvaguarda reforçadas, propondo suspender vantagens tarifárias se houver ameaça aos produtores europeus e ativar proteções se as importações de produtos sensíveis.

